Tania Zagury (*)

Existe uma fase da infância em que as crianças – praticamente todas -  reagem ao que não gostam com uma espécie de "ataque dos nervos". Causa impacto! Afinal algumas chegam a bater com a cabeça na parede! Outras, jogam longe o que encontram à mão ou rodopiam qual fossem piões! É importante saber que essa é uma forma primária, mas usual, de expressar insatisfação e a criança se utiliza dela para demonstrar raiva ou frustração porque, até por volta dos três anos, ainda não dispõe de outras ferramentas para expressar tais sentimentos. Natural ou não, importante é ensinar que berrar não é a forma civilizada de protesto - e precisa, pois, ser substituída. Para atuar sem maiores problemas é necessário que a criança perceba desde o início que a birra não a levará aos resultados desejados. Se não deixarmos isso totalmente claro, a tendência será de o comportamento se tornar padrão.  Portanto, se continua a ocorrer é sinal de que vocês não estão atuando com eficiência. Então, reveja o que está falhando. O importante é compreender – pais, professores, vovôs – que o que surte efeito é a atitude frente à birra – e não as palavras. O ideal é deixar a criança ter o chilique - sem demonstrar estresse ou ansiedade. Se quiser dar uma explicação, que seja uma vez apenas. E sem gritar - mesmo que a criança esteja berrando! Fale em tom normal, mas firme: Vou esperar passar, depois a gente conversa, ou algo do gênero. Em casa ou fora dela, a preocupação deve ser proteger a criança para que não se machuque (afastando os objetos). Quando finalmente passar, não comente o chilique; mas mantenha a atitude que gerou a birra. Se você a proibiu de pegar um objeto, ele deve continuar proibido, se não a criança pensará que a birra vale a pena. Se todos agirem da mesma forma, rapidamente entenderá que a estratégia não funciona. O ser humano precisa compreender que a sociedade é regida por leis e normas éticas. A experiência da aprovação/reprovação e também da premiação/sanção ajuda muito nisso. Quando uma criança burla regras combinadas pela primeira vez, deve ser alertada; deve-se explicar a ela por que tal atitude não é adequada. Se os chiliques continuarem, a criança só mudará se perceber que existem consequências. São as sanções educacionais que devem ser adequadas à idade e ao tipo de atitude. Bater jamais é sanção justa. Os melhores resultados se obtêm tirando algo de que a criança gosta: uma sessão de cinema ou o tempo dos jogos eletrônicos, por exemplo. Tão ou mais importante é premiar atitudes adequadas – não com presentes materiais, mas com elogios, carinho. É assim que a criança começa a entender a sociedade: através da aprovação da família a atitudes positivas e da desaprovação às inadequadas. É assim também que ela percebe como se vive a vida em comum. Um último lembrete: o que mais atrasa o processo de acabar com as birras é a criança perceber insegurança ou remorso por parte dos que atuam no sentido de socializá-la.

(*) Filósofa, mestre em Educação, escritora, autora, entre outros, de "Limites sem trauma, construindo cidadãos".