Meninos e meninas com necessidades especiais precisam de atenção redobrada com a alimentação diária, mas nada tão diferente de qualquer outra criança. Os pais e responsáveis devem evitar sempre que possível oferecer alimentos industrializados e preferir produtos naturais e um cardápio colorido e variado.

 

As crianças com Síndrome de Down precisam de uma alimentação saudável e equilibrada como qualquer outra, mas com alguns cuidados especiais. Segundo a pediatra Ana Cláudia Brandão, responsável pelo Programa de Síndrome de Down do Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo e colaboradora do Movimento Down, o primeiro cuidado é com a quantidade de comida ofertada.

Segundo ela, as crianças que têm a síndrome necessitam de menos ingestão calórica do que as que não têm. “Se ela comer a mesma quantidade que um amigo da mesma idade, vai ganhar mais peso que o colega”, enfatiza Ana Cláudia Brandão.

O sobrepeso e a obesidade são mais comuns nas crianças com Síndrome de Down do que na população em geral. “É mais frequente por conta do erro alimentar. E quando a criança chega à adolescência já obesa, a chance de vir a ser um adulto obeso é muito grande, o risco de insucesso no tratamento da obesidade é maior”, explica a pediatra. O cuidado com a alimentação desde os primeiros meses de vida é, portanto, importante, assim como em crianças sem necessidades especiais.

A comunicóloga Ana Paula Minozzo não enfrentou grandes problemas para atender às necessidades especiais da filha Manuela, hoje com 5 anos. A alimentação da menina, que tem Síndrome de Down, é a mesma do irmão, Bernardo, de 7 anos, sem a síndrome. “É o mesmo prato para os dois, só que o dela em quantidade menor”, explica a mãe.

Ana Paula conta que tem menos dificuldades em oferecer uma alimentação saudável aos filhos porque, como filha de mãe naturalista, ela recebeu uma boa educação alimentar.  Manuela, por exemplo, nunca comeu arroz branco. A comida da menina e de Bernardo é à base de alimentos comprados em feiras, com preferência por verduras orgânicas e frutas frescas, além de feijão, lentilha, ervilha, arroz integral, entre outros produtos selecionados e combinados em pratos coloridos.

“A alimentação precisa ser variada, saudável, com mais alimentos naturais. Não se deve dar industrializados, enlatados, embutidos, tudo o que a gente recomenda que não se dê para outras crianças. O que faz diferença é tomar cuidado com a quantidade e oferecer uma dieta rica em fibras e em água, já que é comum essas crianças terem prisão de ventre”, diz Ana Cláudia.

Também é importante que as crianças coma síndrome tenham uma alimentação rica em vitaminas e substâncias antioxidantes. Isso porque o organismo delas sofre mais ação de oxidantes que aceleram o envelhecimento das células. Em boa parte dos casos, uma alimentação balanceada basta para suprir tudo o que a criança necessita. Nesses casos e em outras crianças com dificuldades de aceitação alimentar balanceada, esta possível dificuldade deve ser tratada com o pediatra e até com o nutricionista.

Além de se alimentar bem, Manuela tem uma rotina de atividade física. Faz capoeira, balé e tem um personal trainer para o fortalecimento do diafragma e do abdômen, com foco no aumento da resistência e da função respiratória. Ana Cláudia lembra que a atividade física é essencial a qualquer criança com ou sem Síndrome de Down. No segundo caso, o ideal, segundo a especialista, é procurar turmas mistas, de forma a integrar, e não a separar as crianças. A pediatra orienta os pais a incentivar os filhos a praticarem atividades físicas e, sempre que possível, fazerem as atividades junto com eles.

 

 

Chefs especiais dão dicas para alimentação de jovens com Síndrome de Down

Grandes transformações começam na cozinha. É o que tem mostrado o Instituto Chefs Especiais, que está completando dez anos e ensina adolescentes e adultos com Síndrome de Down a cozinhar. O objetivo do instituto, que foi criado por Simone e Márcio Berti e funciona em São Paulo, é dar mais autonomia a esse público. Hoje o projeto atende cerca de 300 participantes e mais de 450 já passaram pelas oficinas gratuitas de gastronomia.

Quando criaram o Chefs Especiais (http://chefsespeciais.blogspot.com.br), Simone e Márcio queriam contribuir para a desestigmatização da Síndrome de Down, fazendo com que os participantes se sentissem mais confiantes, inseridos na vida comunitária e até mais preparados para enfrentar o mercado de trabalho, por vezes tão cruel com pessoas que apresentam necessidades especiais.  Nas aulas, eles aprendem desde o básico do básico até pratos mais elaborados, diz Simone. Ainda que o Instituto se coloque como uma escola de gastronomia sem “viés pedagógico nem clínico”, saber e gostar de cozinhar também pode ser importante para a construção de hábitos alimentares saudáveis. Até porque a criatividade na hora de preparar os alimentos é fundamental quando se pensa em pratos saudáveis, saborosos e diversificados.  

• Maria Carolina e Mauro se divertem na cozinha da oficina do Instituto Chefs Especiais, onde aprendem a se alimentar de forma saudável.

• Matheus faz pose na cozinha da oficina do Instituto Chefs Especiais, onde aprende a fazer alimentação saudável.

• Nathalia Evangelista sorri na cozinha da oficina de gastronomia do Instituto Chefs Especiais; mais autonomia na sua alimentação.

Conheça outras dicas para a alimentação de crianças com necessidades especiais 

1. Ao iniciar a alimentação complementar do bebê com necessidades especiais, experimente uma colher pequena, adequada ao tamanho da criança, de preferência de silicone.

2. Ao invés do suco de fruta, que pode fazer engasgar, ofereça a fruta amassada ou raspada.

3. Estimule a mastigação com pedaços de frutas macias, como banana e mamão.

4. Quando for dar água, coloque o líquido no canto da boca da criança.

5. Coloque a comida amassada no canto da boca. Ajude o movimento com suas mãos, delicadamente, para estimular a mastigação e a movimentação da língua.

6. Experimente passar a comida em uma peneira após o cozimento.

  

* Essas dicas são voltadas às crianças com necessidades especiais de uma forma geral, não são especificamente para as que têm Síndrome de Down.

Fonte: Alimentação e Saúde Infantil – Nutrição Consciente desde a Infância.(http://alimentosaudeinfantil.wordpress.com)

Foto Ana Paula Minozzo, com os filhos Manuela e Bernardo. Crédito: Álbum de família.

Legenda: Ana Paula brinca com Manuela e Bernardo na piscina: opção por cardápio variado, saudável, com mais alimentos naturais.