Lugar de criança é na cozinha

 

        A velha máxima de que a cozinha não é lugar de crianças vem sendo contestada mundo afora. Nas escolas, em programas de TV e em cursos de gastronomia, a presença de minichefs é cada vez mais assídua. Supervisionados por profissionais ou familiares, os cozinheiros mirins podem aprender mais sobre os alimentos e conquistar a autonomia necessária para fazerem escolhas mais saudáveis em termos de nutrição.

 

Na televisão, programas como Tem criança na cozinha (Gloob), Que marravilha! Chefinhos (GNT) e MasterChef Junior (Band) estimulam a troca de receitas entre crianças. Às vezes, os pratos são tão bons que os adultos tiram uma casquinha. Nos Estados Unidos, a primeira-dama Michelle Obama serve as melhores receitas infantis, disputadas num concurso para estimular hábitos saudáveis à mesa, no evento que ela batizou de Jantar de Estado com Crianças.

 

        “A geração que hoje tem filhos pequenos não aprendeu a cozinhar em casa e não tem como ensinar”, observa Eliseu Carlos Gomes, coordenador acadêmico do Instituto de Gastronomia das Américas (IGA) no Rio de Janeiro. Considerada a maior escola de culinária do mundo, com 115 unidades em 33 países, a instituição tem um curso regular para crianças com duração de oito meses. Atualmente, dos cerca de 1.200 alunos das quatro filiais fluminenses, cem são cozinheirinhos. Eles são divididos em dois níveis de acordo com a faixa etária. Cada segmento desenvolve habilidades culinárias e receitas específicas, sempre sob supervisão de professores e monitores. Como ressalta Eliseu Gomes, “a cozinha não é um lugar seguro para crianças ficarem sozinhas”.

 

A intimidade com a culinária ajuda também a interpretar receitas, permitindo a substituição de ingredientes em prol de combinações mais saudáveis e medições sem balança, o que favorece a noção de porções: “As crianças ficam muito orgulhosas ao perceberem que conseguem fazer algo que seus pais não fazem. Em geral, quem traz para as aulas são as avós”. Embora sejamos uma escola de formação para adultos, percebemos a importância de ensinar noções básicas às crianças. O que a gente quer é que elas se virem na cozinha. Não dependam de um pacote de ‘porcaritos’ para fazer um lanche”, explica o coordenador, fazendo um trocadilho com o nome dos salgadinhos industrializados. 

 

 

 Veja a seguir as dicas culinárias para cada faixa etária

 

De 3 a 7 anos: Nessa idade, as crianças podem ajudar a preparar saladas, rasgando folhas com as mãos e montando as combinações. Elas podem ser estimuladas a descascar frutas que dispensem o uso de utensílios como bananas e tangerinas. Outras atividades que elas adoram é botar a mão na massa, misturando ingredientes para biscoitos, pães e pizzas. Confeitar doces e bolos também é a maior diversão!

 

De 8 a 11 anos: Com a coordenação motora um pouco mais desenvolvida, as crianças podem preparar receitas mais elaboradas como empadinhas, empadões, pastéis e pizzas, que incluem o preparo da massa e do recheio. Nesses casos, a orientação é usar raladores no lugar das facas.  Para cortar ingredientes macios, como queijos, facas pequenas e de plástico dão conta do recado sem oferecer riscos de acidentes. O trabalho das crianças só vai até a montagem no tabuleiro. Perto do forno, onde as receitas serão assadas, só chegam os adultos.

 

De 12 a 15 anos: Com mais altura e destreza, os adolescentes já podem manipular alguns utensílios de corte. Prefira sempre facas pequenas e pouco amoladas. Aos poucos, os professores ensinam algumas técnicas simples. No fogão, é possível fazer refogados rápidos que dispensam grandes quantidades de líquidos. Esse é um bom momento para os monitores ensinarem cuidados como manter sempre o cabo das panelas virado para dentro.  Sanduíches e lanches ligeiros são as receitas preferidas.