Alinhamento é uma das lições que o avô-pediatra Fábio Ancona ensina às famílias sobre convivência entre avós e netos. Hoje, as crianças passam parte do dia com os avós, que têm uma participação ativa na educação e na criação. Por outro lado, isso pode gerar conflitos familiares, especialmente no que diz respeito à alimentação dos pequenos. Ancona é professor aposentado de Nutrologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo e autor do livro “Avós e Netos – Uma Forma Especial de Amar – Manual de Convivência" (Editora Manole). A seguir, ele dá dicas para melhorar a relação entre avós, netos e pais.

Se a mãe proibiu, os avós não podem permitir: mãe e avó têm que andar juntas, muito próximas. A avó deve agir com certo grau de autoridade sobre o neto, uma vez que está fazendo parte da sua criação. Então, ela precisa ter ação efetiva, seguindo o que a mãe orienta ao filho. Em casa de avó pode tudo, mas não aquilo que não pode na casa da mãe; que a mãe não deixa fazer.

Comida não é amor: a criança que cresce comendo na casa da avó tem tendência a comer mais do que deve. Não se deve confundir comida com amor. A ideia do “fiz isso para você com tanto carinho, se você não comer, vou ficar triste” deve ser substituída pela compreensão de que se deve cozinhar com carinho sempre e de que a criança vai comer ou não, dependendo da sua própria vontade.

Dupla mensagem: a principal interferência negativa: alimentar demais a criança ou oferecer excesso de guloseimas, desrespeitar o horário de dormir do neto e exceder o tempo de tela adequado são interferências que, no final das contas, podem ser traduzidas como a transmissão de dupla mensagem; o que prejudica o seu desenvolvimento. Para a criança, tudo que vem como dupla mensagem – aquilo que em uma determinada circunstância ela pode fazer, mas em outra não pode, seja a partir de uma mesma pessoa ou não – é ruim. Isso gera insegurança, porque ela perde o parâmetro daquilo que deve.

Exceção e cotidiano: se as crianças vão à casa da avó uma vez por semana, um fim de semana, ela terá enorme prazer em preparar um pudim de leite ou um bolo de cenoura com calda de chocolate para seus netos. Isso não é um problema. Agora, se a criança fica com os avós diariamente, é preciso muita conversa. E é importante que os pais consultem o pediatra sobre o assunto. Ele é a pessoa adequada para definir a melhor conduta.

Além disso, um aprendizado: a criança deve ser amada, mas também respeitada. Devemos procurar entender as motivações daquilo que faz e escutar o que fala, em qualquer idade. Mesmo que seja só pela expressão corporal, ela sempre passa uma mensagem que deve ser compreendida e deve receber, da parte do adulto, um acolhimento total.

Para conhecer o livro, acesse o site: <https://www.manole.com.br/avos-e-netos/p>.