Falar de obesidade infantil com crianças e adolescentes pode ser um tema difícil para os pais e professores. Confira as orientações de pediatras e outros especialistas em saúde para abordar o assunto sem constranger meninos e meninas acima do peso e protegê-los de possíveis bullying.

Explique o que é obesidade – Converse com a criança e o adolescente sobre o assunto. Explique que obesidade é uma doença crônica e com diversas causas, inclusive genéticas; que requer uma abordagem ampla com tratamento envolvendo diferentes profissionais da saúde; e que esse problema não se resolve em curto prazo. Esclareça ainda que, apesar de ser multifatorial, adotar medidas como manter bons hábitos alimentares, dormir bem e levar uma vida ativa ajudam na prevenção. E que manter uma boa saúde envolve toda a família.

Converse de forma franca e leve – Há pais que preferem não falar de obesidade com receio de que a criança ou o adolescente passe a se preocupar demais com a aparência, e isso leve a distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia, especialmente no caso das meninas. Se a criança quiser saber se está acima do peso, não fuja do assunto. Crie um ambiente favorável a esse tipo de conversa e se mostre disponível para falar com seu filho sobre qualquer problema relacionado à alimentação. Pesquise e peça informações ao pediatra para abordar o tema de forma didática em casa, na escola. Mantenha o diálogo aberto. Lembre-se de que as crianças copiam os bons e maus exemplos. Se a família mantém hábitos saudáveis, ela tende a segui-los.

Não brinque com o assunto – Em entrevista ao portal da BBC, a psicóloga e escritora Amanda Hills lembrou que “alguns pais não percebem que ao fazerem uma piada sobre o peso de seu filho, podem afetá-lo por toda a vida”. E reforça que eles devem ficar atentos para não contagiar as crianças ao “fazerem brincadeiras sobre o peso de outras pessoas, porque elas vão interpretar tal atitude como correta”.

Mostre que bullying é algo inaceitável – As crianças gordinhas enfrentam muitos outros desafios além da pressão para perder peso. Podem ser provocadas na escola, sofrer bullying e, com o passar do tempo, essa situação torna-se um fardo emocional, que as faz sentir-se isoladas, envergonhadas e tristes. Elas tendem a deixar de participar de atividades físicas, principalmente na escola. Reforce com seu filho que ninguém merece sofrer qualquer tipo de constrangimento por causa do peso, da cor da pele ou outro motivo, e que o assédio não é aceitável.

Incentive a criança a se aproximar dos amigos – Convença seu filho a estar mais com os amigos dele, especialmente na escola. Se a criança passa algum tempo com um grupo no parquinho ou no refeitório, é menos provável que seja provocado, maltratado. Se o seu filho está acima do peso, promova a autoestima dele, mostrando respeito e aceitação. Reafirme os pontos mais fortes e as qualidades admiráveis do seu filho, que nada têm a ver com o peso corporal. Esteja mais presente no dia a dia da criança. Procure ajuda com o pediatra ou psicólogo. Um estudo da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, nos Estados Unidos, constatou que crianças com um pai mais participativo, nas suas rotinas e tarefas, têm menor probabilidade de se tornar obesas.

Fontes: Academia Americana de Pediatria, Medscape e BBC Brasil.