Casais separados devem se unir para melhorar a dieta dos filhos

A separação quase sempre é um processo doloroso para o casal. Quando a situação envolve filhos, ela é ainda mais delicada. Um dos motivos de discórdia é a diferença de hábitos nas duas casas onde a criança ou o adolescente divide seu tempo. Para não fazer da dieta mais um motivo de conflito, a terapeuta cognitivo-comportamental Adriana Dáquer afirma que os pais precisam compreender que, embora separados, continuam formando uma família.

“Nos casos em que a guarda fica com um dos cônjuges, e o outro fica com a criança a cada 15 dias, há dois comportamentos mais frequentes: no primeiro, o pai que passa pouco tempo com o filho quer impor um regime de regras no seu fim de semana para ocupar um lugar na educação da criança; no segundo, ele abre mão totalmente dessa função porque acredita que, como o tempo que passa com o filho é pouco, não vale a pena participar, é aquela percepção geral de que um educa, e o outro diverte. Nos dois casos, a polarização é indesejável. O importante é o bem-estar da criança”, observa Adriana, que integra o Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares (Gota) do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ipub/UFRJ).

Segundo ela, no atendimento a essas famílias, o trabalho consiste em propor uma reflexão guiada que permita negociar aspectos da rotina do filho de acordo com a estrutura de que cada responsável dispõe. Isso significa, por exemplo, montar cardápios em conjunto, sabendo que os fins de semana permitem lanches e refeições menos rígidos.

“Não significa comer besteiras no almoço e no jantar, mas abrir uma exceção para uma pipoca ou um sorvete durante um passeio”, afirma, acrescentando que essa negociação ocorre de maneira mais intensa nos casos da guarda compartilhada.

Além disso, a terapeuta lembra que os pais não podem fazer de doces e guloseimas moeda de troca pelo amor da criança. E precisam assimilar que a alimentação saudável não é uma punição. Ela é saborosa e prazerosa, especialmente se houver a percepção da afetividade e de uma satisfação que não é imediata:

“Uma refeição balanceada vai proporcionar saúde e bem-estar, ao passo que uma comida cheia de açúcares e gordura vai causar indisposição, além dos problemas físicos e sociais que o ganho de peso acarreta.”

As orientações valem não apenas para pais e mães, mas para todos os familiares que exercem influência sobre a criança, incluindo os avós:

“O grande erro nessas relações é desautorizar o outro. Se uma avó dá refrigerante para o neto, apesar de a mãe não deixar, a criança reconhece um peso maior nessa atitude, afinal ela é mãe da mãe. A família tem que falar a mesma língua, alinhar o discurso”, enfatiza.