Uma nova pesquisa, publicada pela Associação Americana do Coração, sugere que crianças e jovens expostos muito tempo a telas de TV, computadores, videogames, smarthphones e tablets correm maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Segundo o estudo “Comportamentos sedentários na juventude de hoje: abordagens para a prevenção e gestão da obesidade infantil”, a constatação é ainda mais preocupante diante da incorporação crescente das telas ao cotidiano. Atualmente, dados da ONG americana Common Sense Media revelam que o tempo médio diário gasto por jovens de 13 a 18 anos com mídia baseada em tela recreativa, incluindo computador, smartphones e tablets, é de 6h40m.

Na entrevista a seguir, a pediatra Valéria Schincariol, do Comitê de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj), fala dos impactos dessa exposição excessiva na saúde de crianças e jovens.

OIN – Qual o impacto na saúde da excessiva exposição às telas?

VALÉRIA SCHINCARIOL – Segundo a Associação Americana do Coração, o aumento do tempo de exposição às telas tem sido relacionado a excesso de gordura. Estudos também têm mostrado que a presença de aparelhos de TV e videogame, computadores e dispositivos móveis nos quartos está associada ao aumento do tempo de exposição a telas e, como consequência, a distúrbios do sono, o que favorece a obesidade.

OIN – Qual a relação entre exposição às telas, comportamento sedentário e obesidade?

 VALÉRIA – O efeito prejudicial do comportamento sedentário no aumento da obesidade é mais notável nos estudos que avaliaram o aumento da exposição às telas autodeclarado do que comportamentos sedentários medidos objetivamente com aparelhos que detectam movimento, sendo necessárias ainda mais evidências para essa conclusão. Em estudos anteriores, também nos Estados Unidos, observou-se que os participantes que excederam a 2 horas ao dia de tempo de tela recreativa foram 1,8 vezes mais propensos a serem adolescentes com sobrepeso e obesidade.

 OIN – Quais os riscos efetivos de doenças cardiovasculares em crianças e jovens, a partir da excessiva exposição às telas?

 VALÉRIA – Em estudos focados em fatores de risco cardiometabólico, o maior tempo gasto em comportamento sedentário foi associado à menor sensibilidade ao hormônio insulina, um fator de risco para o diabetes.

 Atente-se às orientações dos especialistas americanos para diminuir o tempo que crianças e jovens ficam diante das telas

• Todas as atividades em telas devem ser reduzidas para diminuir os riscos à saúde.

• Pais e responsáveis devem aplicar regrinhas apropriadas de tempo de tela para modelar comportamentos saudáveis.

• O consumo passivo de telas (como deixar a televisão ligada enquanto outra atividade é realizada) deve ser evitado para que não haja banalização desse comportamento.

• Os quartos e as refeições devem estar livres de televisões e outros dispositivos recreativos baseados em telas.

• As refeições devem ser feitas com aparelhos e telas desligados.

• Interações sociais diárias face a face, livres de dispositivos, devem ser incentivadas.

• É importante também promover brincadeiras ao ar livre.

Confira a íntegra do manual de orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre a “Saúde de crianças e adolescentes na era digital”, disponível no site:

<http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/11/19166d-MOrient-Saude-Crian-e-Adolesc.pdf>.