Oferecer aos filhos a oportunidade de adquirir maior conhecimento e praticar diferentes atividades físicas sem que o limite da criança seja ultrapassado. Esse tem sido um desafio do mundo moderno, com pais com tempo cada vez mais curto e ofertas de cursos por todos os lados. Danças, lutas, cursos de idiomas, natação, entre outras atividades são a solução para manter crianças ativas e dedicando menos tempo aos jogos eletrônicos. Mas especialistas alertam que o desejo de preparar crianças para o futuro inclui espaços livres para o brincar, o faz de conta, o jogo simbólico, e não somente para atividades dirigidas e estruturadas.

 

É fundamental abrir espaço na agenda dos pequenos. “O tempo livre com atividades criativas, que vão surgindo espontaneamente nas brincadeiras, é bem importante para enfrentar os desafios do crescimento, de se tornar um adulto. Todos os dias da semana, devem ter algum momento para o simples brincar”, afirma a psicanalista, psicóloga educacional e mestre em educação Larissa Scherer. Para entender o limite de cada criança, a psicóloga indica a simples observação. “É importante perceber as reações das crianças quanto às atividades desenvolvidas. A infância é o momento em que a criança vai experimentar e descobrir suas habilidades e preferências. Não necessariamente irá segui-las no futuro, mas a possibilidade de descoberta é bem interessante, pois irá auxiliá-la em suas escolhas”, argumenta.

 

Já o professor de educação física Norberto Monteiro, pós-graduado em ciência do treinamento com alto rendimento, lembra que hoje as atividades dirigidas têm a função das brincadeiras de rua de gerações passadas. “Violência e cidades com pouco espaço de convivência na comunidade estão fazendo com que crianças fiquem em casa isoladas de amigos e com dedicação excessiva a eletrônicos. A criança da cidade grande não sobe mais em árvore, não corre nas ruas, ou seja, não gasta energia, não conhece suas qualidades físicas e interage pouco com outras crianças. Nesses casos, aulas de esportes ou dança cumprem o papel de desenvolver aptidões como força, flexibilidade, musicalidade, entre outras. Mas é fundamental que qualquer atividade até os 14 anos de idade seja desenvolvida de forma lúdica, sempre com muitas brincadeiras”, adverte Monteiro, acrescentando que as atividades físicas fora da escola não devem ultrapassar cerca de uma hora por dia, isto é, cinco vezes por semana.

 

Com relação à idade, quanto menor a criança, maior é a necessidade de tempo livre para brincar. Na visão de Larissa, em torno dos cinco anos de idade, período da educação infantil, são as brincadeiras livres que irão auxiliar o desenvolvimento global da criança: “É a experimentação de brincadeiras e vivências que servirão de preparação para o desenvolvimento da atividade formal”, conclui.

 

“Em hipótese alguma, a criança deve sofrer uma sobrecarga de exercícios físicos. O momento de estar em casa brincando é necessário. Mas experimentar atividades diferentes é um caminho para se manter mais ativo, diminuindo o risco de sofrer de obesidade infantil”, finaliza Monteiro.