Um em cada cinco brasileiros está acima do peso, segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada em abril pelo Ministério da Saúde. De acordo com a análise, a prevalência – número total de casos numa população e num momento temporal – da obesidade no Brasil aumentou em 60%, passando de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016. O crescente número de casos de obesidade e de suas complicações também foi observado no levantamento do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil), que iniciou uma nova etapa. Segundo o médico Paulo Lotufo, coordenador do Elsa, os que mais ganharam peso foram os mais jovens. Saiba mais.

 

Obesidade em alta: O resultado do Vigitel é baseado nas respostas de entrevistas realizadas de fevereiro a dezembro de 2016 com 53,2 mil pessoas maiores de 18 anos. E também mostrou o aumento de outras doenças crônicas entre brasileiros – que podem ser causadas pelo excesso de peso e a vida sedentária. Por exemplo, o diagnóstico de diabetes passou de 5,5%, em 2006, para 8,9%, em 2016. O de hipertensão, no mesmo período, saltou de 22,5% para 25,7%, com prevalência no sexo feminino nos dois casos. 

Epidemia em todas as idades: O índice de obesidade aumenta com o avanço da idade, porém, mesmo entre os brasileiros de 25 a 44 anos, ele é alto: 17%. No Elsa-Brasil, os participantes que tinham menos de 55 anos engordaram um quilograma, em média, durante o período em que foram avaliados (últimos quatro anos). “A cada três participantes, dois estavam acima do peso (com sobrepeso ou obesos); 20% eram diabéticos; um terço tinha pressão alta; e 58% apresentavam colesterol elevado”. Na visão de Lotufo, apesar de 20% dos entrevistados terem perdido peso, isso não significa que a maioria nesse grupo estava levando um estilo de vida mais saudável. “A perda de peso pode ser causada por alguma doença, como, por exemplo, dificuldade de mastigar ou de absorver nutrientes, problemas psicológicos, como depressão, especialmente entre os mais velhos”, afirma.

O que fazer: No Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil, em Brasília, em março deste ano, o governo brasileiro assumiu o compromisso de atingir três metas: deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019; reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta até 2019 e ampliar em, no mínimo, 17,8% o percentual de adultos que comem frutas e hortaliças regularmente até 2019. O evento está no contexto da Década de Ação das Nações Unidas para a Nutrição, que vai até 2025, e incentiva o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis. Atualmente, 600 milhões de pessoas no mundo estão obesas; 800 milhões são subnutridas crônicas, sendo 159 milhões crianças menores de cinco anos. E, além disso, mais de dois milhões sofrem de carências de micronutrientes. Para o professor Lotufo, além de campanhas de prevenção da obesidade, é preciso fazer intervenções eficazes no combate à doença, como, por exemplo, regulamentar a venda de alimentos nas cantinas escolares para garantir a oferta de produtos saudáveis e com baixo teor de gordura, açúcar e sódio. O pesquisador também defende a maior taxação de bebidas açucaradas e refrigerantes, algo que já ocorre em outros países. O Elsa envolve seis instituições públicas de ensino superior e pesquisa das regiões Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil. Ademais, avalia por meio de entrevistas e exames homens e mulheres de 35 a 74 anos, com objetivo de investigar a incidência e os fatores de risco para doenças crônicas, principalmente as cardiovasculares e o diabetes. A cada quatro anos se inicia uma nova etapa.

 

Mais informações:

Vigitel: <http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/abril/17/Vigitel_17-4-17-final.pdf>.

Elsa-Brasil: <http://www.elsa.org.br/>.