A obesidade e as complexas questões envolvidas em seu tratamento e prevenção foram discutidas por mais de 1,7 mil especialistas no XVI Congresso de Obesidade e Síndrome Metabólica, este mês. Endocrinologistas, psiquiatras, cirurgiões, psicólogos, nutricionistas, além de professores de educação física, reuniram-se no Rio para tratar dos desafios que envolvem essa doença crônica que avança em muitos países, entre eles o Brasil. Membro da comissão científica do congresso e presidente recém-eleita da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), a endocrinologista Maria Edna de Melo  destaca  em entrevista ao portal Obesidade Infantil Não a necessidade de campanhas educativas contínuas.

Obesidade Infantil Não: A pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2014 constatou que mais da metade da população adulta (52,5%) está acima do peso, sendo que 17,9% são obesos. Quais os impactos dessa incidência de obesidade a longo prazo?

Maria Edna de Melo: O impacto é ruim para o indivíduo, que apresentará mais doenças relacionadas à obesidade, e para a sociedade. Teremos um impacto financeiro importante no sistema de saúde, que já é deficiente.

OIN: A tendência é semelhante quando se considera a população infantil. Quais os riscos dessa manifestação tão precoce?

Maria Edna: As doenças e o impacto psicológico se instalam mais cedo, reduzindo a qualidade de vida e a saúde de uma forma geral.

OIN: Muitas campanhas contra a obesidade dão ênfase à responsabilidade individual na prevenção e controle da doença e suas causas. No entanto, há uma série de questões sociais diretamente relacionadas às escolhas individuais. Quais os desafios para a sociedade como um todo na abordagem do problema?

Maria Edna: Muitas vezes as escolhas por alimentos mais calóricos e de baixo valor nutricional decorrem da falta de conhecimento. Embora todos achem que todo mundo sabe tudo o que pode e o que não pode, isso não é verdade, e as pessoas de uma forma geral não têm noção do impacto de certos alimentos. Assim, é importante que as campanhas de educação sejam chamativas e contínuas.

OIN: A medicina tem avançado bastante em relação às opções de tratamento (medicamentoso e cirúrgico). E em relação àprevenção? Alimentação balanceada e atividade física continuam sendo a melhor forma de evitar o excesso de peso?

Maria Edna: Sim. Sem modismos, sem invenções. Alimentação balanceada e atividade física são fundamentais também no tratamento.

OIN: O congresso discutiu temas importantes, como o uso de drogas off-label e abordagem cognitivo-comportamental. Para que direção a ciência aponta nesses dois tópicos? 

Maria Edna: A obesidade é doença crônica e precisa ser tratada como tal. A tendência é que novos medicamentos cheguem ao mercado e que possam servir para tratar os pacientes que precisem.