Segundo dados da Federação Mundial da Obesidade (IASO, na sigla em inglês), mais de 42 milhões de crianças menores de cinco anos estão acima do peso no mundo, das quais 35 milhões estão em países em desenvolvimento e 92 milhões correm risco de sobrepeso e obesidade. A epidemia global de obesidade motivou a adoção pela Federação Mundial da Obesidade de uma data oficial, 11 de outubro, para alertar sobre a doença, cuja prevalência vem crescendo em quase todo o mundo. Quem coordena o movimento é o endocrinologista brasileiro Walmir Coutinho, presidente da entidade, que alerta: “A epidemia é crescente e está fora de controle. É preciso agir agora. Não se pode esperar mais para tomar as medidas necessárias”.

OBESIDADE INFANTIL NÃO: Qual a importância de um dia mundial para a obesidade?

WALMIR COUTINHO: A data é importante para que, a cada ano, tenhamos oportunidade de chamar a atenção do mundo inteiro para a necessidade de prevenção e tratamento dessa doença.

OIN: Que ações foram promovidas no Brasil para lembrar a data?

COUTINHO: A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso) coordenou uma série de atividades no dia 11. Entre elas, uma ação preventiva: a medição de cintura e peso de crianças em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro.

OIN: Recentemente, a Federação chamou a atenção para o fato de que muitas famílias não reconhecem ou não valorizam o excesso de peso em suas crianças e adolescentes. Que fatores contribuem para esse cenário?

COUTINHO: Existe uma crença popular de que o problema do excesso de peso se resolve sozinho quando a criança entra na puberdade. É exatamente o contrário. Alguém que desenvolva obesidade nessa fase da vida provavelmente vai ser um adulto obeso. A obesidade infantil precisa ser tratada.

OIN: Como avalia as ações governamentais e não governamentais no controle e prevenção desse agravo?

COUTINHO: Existem iniciativas interessantes e promissoras, mas ainda insuficientes. Ainda há muito a ser feito.

OIN: No Brasil, as últimas estatísticas estão em curva ascendente. Há algum indício de que essa tendência se inverta num futuro próximo?

COUTINHO: No Brasil, não. Há uma tendência de estabilização em grupos muito pequenos, como o das mulheres de renda alta, nas regiões Sul e Sudeste. Isso ocorre também em alguns países escandinavos, onde a obesidade apresenta estabilização. Mas, de modo geral, a epidemia é crescente e está fora de controle. É preciso agir agora. Não se pode esperar mais para que as medidas necessárias sejam tomadas.