A adoção de um estilo de vida saudável é a melhor maneira de prevenir a obesidade infantil. Para as crianças e adolescentes que já sofrem com o excesso de peso, a estratégia contra a doença envolve toda a família e inclui reeducação alimentar e aumento do tempo de atividade física, com orientação médica e de outros profissionais de saúde. O Vigilantes do Peso – conhecido por seu programa de emagrecimento para adultos baseado em uma dieta sem restrições e imposições – permite a adesão de crianças a partir dos 10 anos de idade e adolescentes, com indicação pediátrica. O nutricionista Matheus Motta, do Vigilantes do Peso, explica como funciona o atendimento nesses casos

OIN – Como funciona o programa do Vigilantes do Peso para crianças e adolescentes? 

MATHEUS MOTTA – Jovens entre 10 e 17 anos podem participar do programa do Vigilantes do Peso. A estratégia deve ser feita em conjunto com o médico. Ele vai avaliar e definir as metas para o emagrecimento. Dentro do programa, o Vigilantes do Peso possui orientações específicas para essa faixa etária, a fim de respeitar as fases de crescimento e desenvolvimento. Uma ação comprovada e eficiente para tratar a obesidade infantojuvenil é integrar pais e filhos em reuniões focadas na perda de peso, pois elas estimulam mudanças no padrão comportamental e na forma de pensar em relação à alimentação e às atividades físicas. 

OIN – Quais são os critérios para a criança ou o adolescente participar?

MATHEUS – Para participar do programa do Vigilantes do Peso, é necessário apresentar autorização dos responsáveis e um encaminhamento médico, preenchido em um formulário nosso. A decisão deve ser feita em conjunto – jovem, pais ou responsáveis e médico. Os jovens que optarem pelo programa devem estar acompanhados dos pais ou responsáveis. 

OIN – Por quanto tempo a criança e o adolescente devem participar?

MATHEUS – Até atingirem a meta estipulada pelo médico. Recomendamos que essa meta seja revisada no máximo a cada nove meses, para assegurar que o adolescente não esteja emagrecendo rápido demais e prejudicando seu crescimento e desenvolvimento. 

OIN – Quais devem ser as principais estratégias contra a obesidade infantil? 

MATHEUS  A obesidade pode ser resultado de diferentes fatores, como os genéticos, fisiológicos e metabólicos, mas pesquisas científicas indicam que o ambiente é um grande vilão. As crianças aprendem a fazer escolhas alimentares e de atividades físicas desde muito cedo. E essas opções ajudam a definir o estilo de vida que terão anos mais tarde. Então, cabe aos adultos ajudá-las a criar hábitos saudáveis. É muito importante que a criança e o adolescente convivam com outras pessoas que se alimentem corretamente e que pratiquem hábitos saudáveis. 

 

OIN – O que pode ser feito na prática no dia a dia? 

MATHEUS  Encontrar o equilíbrio entre estabelecer regras e garantir que sejam seguidas é essencial. Exponha os alimentos em vez de impor. Crianças tendem a rejeitar alimentos que não conhecem. Continue a servir legumes e verduras mesmo que sejam deixados no prato. O objetivo é tornar esses alimentos familiares. Evite atitudes extremas. Se já consomem alimentos como refrigerantes ou fast-food, cortar esses produtos de vez pode ter o efeito contrário. Incentive a moderação e limite o consumo.

 

OIN – O que os pais e responsáveis devem ter atenção?

MATHEUS - Cuidado com as mensagens que você transmite. Suspender a sobremesa até que coma todos os legumes do prato faz do doce um prêmio e da salada algo a evitar, ou obrigatória. A sobremesa deve fazer parte do cardápio, mas com moderação ou com receitas que envolvam frutas e sejam mais saudáveis. Esqueça o conceito de raspar o prato. Não coloque no prato mais comida do que a criança pode aguentar e não use chantagens, recompensas, punições ou castigos para forçá-la a comer. Isso pode reforçar a recusa pelos alimentos. A refeição deve ser um momento agradável e livre de brigas. Se ela ainda estiver com fome, deixe claro que poderá repetir. Evite oferecer lanches extras logo após as refeições principais só porque a criança “não comeu direito”. Se necessário, ofereça uma fruta até a hora do lanche da tarde. É interessante envolver as crianças e os adolescentes na escolha, nas compras e no preparo dos alimentos para que possam se familiarizar com o que comem e, além disso, estimula a criatividade. 

OIN – E quanto à atividade física?

MATHEUS - A melhor atividade física é a que crianças e adolescentes gostarem. Não é preciso forçar a barra para entrarem na academia ou em algum esporte. Atitudes de imposição podem fazê-los resistentes e encararem a atividade física como algo não prazeroso. Busque entender em qual atividade eles se encaixarão melhor, o que gostam de fazer que envolva gasto de energia e incentive essa prática. Para que uma atividade física seja sustentável em longo prazo, precisa ser prazerosa e divertida, proporcionando bem-estar emocional, satisfação pessoal e aumentando a autoconfiança. Opte por programas que promovam o movimento: parques de diversão, jogos na quadra poliesportiva, museus, trilhas, boliche.