Pesquisadores das Universidades de Edimburgo e de Dundee, na Escócia, divulgaram recentemente um estudo demonstrando que alguns exercícios de musculação podem ter papel fundamental no combate à obesidade infantil. Segundo eles, atividades que provocam a contração muscular e o fortalecimento de músculos e ossos reduzem a porcentagem de gordura corporal das crianças.

Especialista em medicina do exercício, o pediatra Ricardo Barros, do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que a musculação pode ser praticada por crianças que precisam perder peso, mas deve ser orientada e monitorada por professores de Educação Física.

“Os exercícios aeróbicos – feitos em corridas, caminhadas em ritmo forte, bicicletas, escadas ou em aparelhos como o transport – são os mais indicados para redução de peso corporal. Intercalar musculação com aeróbica, sob a supervisão de professores, é uma ótima opção para as crianças”, observa. 

Na concepção do pediatra, a musculação com pesos livres pode ser indicada a partir dos 8 anos. A frequência ideal é três vezes por semana, com cargas que não ultrapassem 15 quilos e um número reduzido de repetições.

“Um dos principais cuidados a serem tomados na prática de exercícios de musculação na infância se refere à intensidade da carga: em excesso, acarreta lesões nos músculos e tendões que, se não forem valorizadas, podem resultar no que chamamos de fraturas de estresse”, alerta Ricardo.

A seguir, acompanhe algumas orientações do “Manual sobre Promoção da Atividade Física na Infância e Adolescência”, elaboradas pelo Grupo de Trabalho em Atividade Física da Sociedade Brasileira de Pediatria, que teve o pediatra Ricardo Barros entre os coordenadores e traz dicas preciosas para pais e responsáveis.

De 0 a 2 anos

• Bebês que ainda não engatinham devem ser encorajados a mover cabeça, corpo e membros para alcançar, segurar, puxar e empurrar objetos durante as rotinas diárias e atividades supervisionadas no chão.

• Crianças que já andam sozinhas devem ser estimuladas a serem ativas várias vezes ao dia, em períodos curtos, durante um total de pelo menos 180 minutos, em ações que incluem mover-se, rolar, brincar, saltar, pular ou correr.

• Até 2 anos, as crianças não devem ficar em frente a telas de tevê, tablets, celular e jogos eletrônicos.

 

De 3 a 5 anos

• Nessa faixa etária, a recomendação é praticar ao longo do dia pelo menos 180 minutos de atividades físicas que desenvolvam a coordenação motora, como brincar na água, andar de bicicleta e jogar bola.

• A partir dos 3 anos, atividades físicas estruturadas, como natação, danças, lutas e esportes coletivos, podem ser paulatinamente incluídas.

• O tempo gasto em frente aos monitores deve ser limitado a duas horas diárias, para evitar o comportamento sedentário.

 

De 6 a 19 anos

• Crianças e adolescentes devem acumular pelo menos 60 minutos diários de atividades físicas, com intensidade moderada à vigorosa (com respiração acelerada e batimento cardíaco mais rápido).

• Atividades intensas que ajudam no desenvolvimento e no fortalecimento de músculos e ossos devem ser praticadas pelo menos três vezes por semana.

• O tempo de tela sugerido é de duas horas diárias, fora as horas gastas no computador para a realização de tarefas escolares.