Uma em cada três crianças brasileiras está acima do peso, adverte o Ministério da Saúde. E, com base no último levantamento divulgado por este órgão em abril, a obesidade atinge um em cada cinco brasileiros. Em dez anos (de 2006 a 2016), a população obesa no Brasil passou de 11,8% para 18,9%. Para o escritor americanoRichard Louv, autor de “A Última Criança na Natureza: Resgatando nossas Crianças do Transtorno do Déficit de Natureza” (Ground), a falta de convívio das crianças com a natureza é uma das principais causas da epidemia de obesidade. Saiba por quê.

 

O impacto no bem-estar: Em entrevista concedida ao Instituo Alana, Louv afirmou que “o transtorno do déficit de natureza não é um diagnóstico médico, mas um termo para definir problemas físicos e mentais associados, em parte, a uma vida desconectada da natureza”. Entre eles, o escritor mencionou : “redução do uso dos sentidos, dificuldades de atenção, taxas mais altas de doenças como miopia, obesidade infantil e adulta, deficiência de vitamina D” e outras doenças. No entender de Louv, “hoje as crianças aprendem desde cedo o quanto pode ser trágico para o mundo o fim dos recursos naturais. Porém, seu contato físico e íntimo com a natureza tem diminuído rapidamente”. E isso não é tudo. Ainda sob a ótica do autor, “as nossas instituições, o nosso planejamento urbano e as nossas atitudes culturais associam, inconscientemente, a natureza a coisas ruins. À medida que os jovens passam cada vez menos tempo em ambientes naturais, seus sentidos estreitam-se, fisiológica e psicologicamente, reduzindo a riqueza da experiência humana”.

 

Causa da obesidade: As crianças hoje estão sedentárias, o que contribui para a epidemia da obesidade infantil. “As crianças se interessam em um brincar mais criativo, interagem positivamente com os adultos e têm sintomas de transtorno do déficit de atenção reduzidos quando brincam ao ar livre”, segundo estudos americanos. Na concepção de Louv, quanto mais “high tech” nossas vidas se tornam, mais precisamos de contato com a natureza. “A educação baseada no ambiente melhora a aprendizagem não só em temas relacionados às ciências da terra, como também em línguas, matemática e história”.

 

Benefícios do convívio com a natureza: O contato com a natureza, ainda que por pouco tempo, como caminhadas curtas em parques – alivia sintomas de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), além de problemas cognitivos em crianças, afirma Louv. Até mesmo os adultos se beneficiam, complementa: “Os parques com maior biodiversidade também são os que têm um impacto mais positivo no bem-estar psicológico dos seres humanos”. E, de acordo com pesquisas, “a educação baseada no ambiente melhora a aprendizagem não só em temas relacionados às ciências da terra, como também em línguas, matemática e história”, comenta Louv. E ainda menciona: “Não só os alunos melhoram os seus resultados em testes tradicionais, mas desenvolvem um melhor pensamento crítico, habilidades de solução de problemas, processos de tomada de decisão, entre outros aspectos cognitivos”.

 

O que Louv sugere para reconectar: Aumento do número de programas que liguem as famílias à natureza; diversidade econômica e cultural em programas ao ar livre; mais verde nos pátios escolares e escolas que incorporem a natureza como parte do ambiente de aprendizagem; pediatras e profissionais de saúde que prescrevam natureza aos seus pacientes; expansão ou criação de novas trilhas naturais, vias verdes, ciclovias, parques urbanos, espaços abertos e corredores de vida selvagem; melhora da biodiversidade local através do uso de espécies nativas na arborização de ruas, praças, parques e outros espaços abertos; maior compromisso das empresas, organizações sem fins lucrativos e instituições públicas com a criação de um futuro mais verde; campanhas de sensibilização do público; criação de oportunidades profissionais que conectem pessoas à natureza dentro e ao redor da cidade; expansão do turismo verde local como alternativa de desenvolvimento econômico; estabelecimento de indicadores econômicos dos benefícios de uma cidade mais rica em natureza, incluindo o aumento da arrecadação de impostos. Na visão de Louv, “em um mundo ideal, cada escola incorporaria a natureza em seu projeto arquitetônico e pedagógico, tanto para ajudar os alunos a estudarem a natureza como para criar um ambiente que incentive a aprendizagem sobre os demais temas”.

 

 

Conheça iniciativas no Brasil que valorizam o convívio com a natureza

Grupos Natureza em Família: ferramenta que ajuda as famílias a passarem mais tempo ao ar livre. Para mais informações, acesse o link: https://goo.gl/zRhAzC

 

Movimento Boa Praça: o Movimento Boa Praça incentiva o uso e a apropriação de áreas verdes públicas: Conheça o Manual Como Ser um Boa Praça, através do link: https://goo.gl/JQ0J68

 

GPS da Natureza: mapeia locais verdes perto de você com sugestão de atividades. Consulte o link: https://criancaenatureza.org.br/gps-da-natureza/login

 

Carona a pé: movimento que reúne a comunidade escolar para ajudar as crianças a percorrerem o trajeto até a escola e de volta para casa a pé, criando vínculos com a vizinhança. Navegue pelo link: http://caronaape.com.br/

 

 

Fontes: livreto Cidades mais ricas em natureza – elaborado pelo Programa Criança e Natureza, do Instituto Alana (alana.org.br), em parceria com o Grupo de Trabalho (GT) Criança e Adolescente da Rede Nossa São Paulo e o Programa Cidades Sustentáveis. E pelo site da BBC (www.bbc.com/portuguese).