As crianças acima do peso muitas vezes sofrem discriminação e bullying. Saiba como reconhecer essa situação e ajudar o seu filho a enfrentar o desgaste emocional causado pelo estigma social. A discriminação relacionada ao sobrepeso na infância pode ser tão prejudicial quanto a obesidade e outras doenças que ela pode desencadear, como diabetes, hipertensão e, inclusive, doenças cardiovasculares. Não permita que isso aconteça.

Você já deve ter escutado histórias sobre pessoas acima do peso e que são felizes. Possivelmente, isso é mais mito do que realidade para a maioria das crianças obesas. Para esses meninos e meninas, assim como suas famílias, viver com excesso de peso é desanimador. Fique atento se o seu filho: parece ter pouca energia ou interesse e reluta em participar de relações sociais e outras atividades; está cada vez mais triste, solitário, nervoso ou retraído; se faz poucos amigos; se tem pensamentos de ferir a si mesmo ou aos outros; se está obcecado por comida; se ele dorme demais ou de menos e reluta em ir à escola.

Como ajudar o seu filho:

– Explique a ele que a obesidade é mais do que uma questão estética, mas principalmente de saúde física e mental.

– Converse com ele a fim de saber por que se alimenta demais e como se sente em relação a esse comportamento. Procure identificar sentimentos e situações que fazem com que o seu filho coma além do necessário, e descubra soluções para evitar esse problema. Crianças obesas costumam buscar bem-estar emocional na comida e terminam consumindo mais calorias. Essa conduta tende a se agravar, se existirem outros problemas emocionais associados, decorrentes de situações do dia a dia, como uma perda na família, uma separação ou mesmo mudança de cidade. Fique atento.

– Evite criticar a criança acima do peso. Essa atitude fará com que ela tenha mais dificuldades emocionais, tornando-a mais solitária, deprimida e menos propensa a realizar as mudanças de hábitos alimentares. Elogie as conquistas e a força de vontade do seu filho para alcançar os objetivos relacionados à alimentação balanceada.

– Ajude a criança a controlar o próprio peso discutindo e encorajando a escolha de comidas saudáveis e nutritivas. Peça ajuda ao pediatra e ao nutricionista. Pratique atividades físicas em família. Seja você o exemplo. Limite atividades sedentárias, como usar a televisão e o computador.

– Encoraje a criança a fazer escolhas inteligentes e a entender os benefícios de se sentir melhor e de ficar mais saudável, explicando os impactos na saúde em médio e longo prazo.

– Limite o acesso a alimentos muito calóricos, especialmente em casa, o que inclui comidas e bebidas gordurosas ou muito açucaradas, como refrigerantes, achocolatados e sucos industrializados. Não se esqueça de ser você o exemplo, assim o incentivará ainda mais.

–Jamais utilize a comida como recompensa para premiar ou punir a criança. Contudo, você pode criar um sistema para gratificá-la nas perdas de peso e ajudá-la a voltar ao peso adequado quando ela se descuidar.

– Previna o bullying na escola: é verdade que algumas crianças com sobrepeso são muito populares entre seus colegas e se sentem confiantes e respeitadas. Mas, geralmente, elas têm baixa autoestima, o que as leva a sentir vergonha do próprio corpo; e falta de confiança em si próprias, com consequente mau rendimento nas atividades escolares. É comum elas escutarem dos seus colegas de classe que são culpadas pelo seu excesso de peso; ganham apelidos; sofrem bullying e veem o afastamento de amigos. Pais e professores devem ficar atentos ao problema em sala de aula, que se caracteriza por atos de agressão e desrespeito ao próximo. Com base na pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), “o peso corporal é fator predominante para a ocorrência de bullying frequente entre alunos das escolas brasileiras, sendo estes também apontados como muito mais propensos a comportamentos de risco, como o consumo de drogas ilícitas, álcool, cigarros e laxantes (ou indução ao vômito), quando comparados com os demais alunos”. De acordo com a análise, na rede pública de ensino, 54% dos estudantes que se acham “muito gordos” dizem que são vítimas de bullying. Nas escolas particulares, o índice é ainda mais alto, 63%.

 

Fontes: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Associação Americana de Psiquiatria e Academia Americana de Pediatria.