Nascido em Campinas, o ultramaratonista Ralph Mesquita, de 25 anos, se mudou com os seus pais, Samla e Alexandre, para a Bélgica com apenas sete anos de idade. Passou a infância e boa parte de sua adolescência lutando contra o excesso de peso. Aos 16 anos, um acontecimento o marcou profundamente: o falecimento de sua avó, vítima de complicações da obesidade. Esse fato o incentivou a pensar em uma forma de conscientizar as pessoas, principalmente as crianças, na prevenção da doença, que se tornou uma epidemia global. Há cerca de um ano, em parceria com amigos, Ralph criou a ONG Eurocross for a Cause – Beating Obesity Together, pela qual correu 5,3 mil quilômetros, de Cabo Norte na Noruega à Tarifa na Espanha, em 72 dias, 22 horas e 30 minutos, com o propósito de chamar a atenção para o problema. Durante o percurso – encerrado em setembro–, arrecadou fundos que serão doados ao Grupo Europeu de Obesidade Infantil (ECOG, sigla em inglês), que realiza ações para a prevenção da obesidade infantil.

Estudante de fisioterapia na Université Catholique de Louvain (na Bélgica), Ralph é vegano e correu, em média, 80 quilômetros por dia (de dez a 11 horas), passando por 800 cidades, com o apoio de uma equipe nas estradas e em um motor-home. Ele diz que é preciso conscientizar e engajar toda a sociedade na luta contra a obesidade infantil. Na visão do ultramaratonista, a prevenção da obesidade começa com a adoção de hábitos saudáveis desde a infância, que incluem fazer alimentação balanceada e praticar atividade física. Mesmo bebês devem ser incentivados a se movimentar.

“Nosso foco são as crianças. Hoje a maioria dos meninos e das meninas leva uma vida sedentária diante de telas. A tecnologia tem que ser usada a nosso favor. Hoje, os ídolos das crianças são youtubers que passam horas em frente a uma câmera. Elas precisam de exemplos que gostem de se movimentar, praticar esportes”, afirma Ralph.

Ele adverte que é preciso cobrar maior atenção dos pais para o problema. “Uma criança não escolhe o que vai comer, se quer praticar atividade física. São os pais que têm essa responsabilidade de educar e dar o exemplo. Mas para isso precisam estar bem informados a respeito do assunto. Não é preciso gastar muito para se movimentar. Em países onde a violência é alta, como o Brasil, as pessoas se sentem inseguras para fazer caminhadas e corridas nas ruas ou qualquer exercício ao ar livre. Esse é um aspecto importante que merece cuidado dos governantes.”

Ralph relata ainda que nunca chegou a ser obeso, mas vivia no limite. Perdia peso, depois voltava a comer e engordava novamente.

“Há cinco anos comecei a correr longas distâncias e o esporte me permitiu mudar de hábitos. É importante mostrar que a obesidade é uma doença grave que tem várias causas, mas é possível prevenir e tratar a maioria dos casos. A corrida pela Europa foi a forma que encontramos de chamar a atenção para o problema. Os números da obesidade são enormes e preocupantes”, comenta Ralph, cujo projeto arrecadou 11 mil euros, depois de atravessar nove países, no qual foi acompanhado por dezenas de corredores.

Na União Europeia, uma em cada três crianças entre seis e nove anos tem sobrepeso ou é obesa.

“Durante o percurso, recebemos o apoio de milhares de pessoas, mas também percebemos que muitas ainda não entendem a importância de prevenir e tratar a obesidade. Vamos continuar chamando a atenção para a causa. Temos a ideia de levar nosso projeto a outros continentes”, conclui Ralph.

Para saber mais sobre o projeto Eurocross for a Cause, consulte o site: <http://eurocrossforacause.com/>, em inglês e francês.

Assista ao vídeo (em francês), disponível em: – <http://eurocrossforacause.com/home-1#mission>.