A oferta de outros alimentos ao bebê, a partir dos seis meses de idade, além do leite materno, é cercada por dúvidas e, sem informação apropriada, muitas famílias acabam cometendo erros comuns. Para saber como os pais devem agir nessa fase, conversamos com as pediatras e nutrólogas Mônica Moretzsohn e Julia Donizetti, da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ).

Julia explica que alguns alimentos, embora comumente oferecidos, como o leite de vaca, devem ser evitados nessa fase. “Ele é pobre em ferro e zinco e um dos responsáveis pela alta incidência de anemia ferropriva em menores de dois anos no Brasil”, diz, listando ainda produtos como o mel (porque o sistema gastrintestinal do bebê ainda não está desenvolvido para atacar possíveis bactérias nocivas presentes nesse alimento), produtos industrializados pré-prontos e embutidos, refrigerantes (e outras bebidas ricas em açúcar, inclusive sucos industrializados) e café. O ideal é consultar o pediatra.

“A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam também que o suco de fruta natural não seja oferecido, principalmente, a menores de um ano de idade, pois essa bebida tem alto teor de frutose (açúcar das frutas), o que pode favorecer o ganho de peso e o aparecimento de outras doenças, como obesidade, cáries”, alerta a pediatra. “É melhor optar pela fruta ao natural, rica em fibras e vitaminas”, salienta.

Para a doutora Mônica, é importante que o pediatra oriente os pais para que a oferta de outros alimentos, além do leite materno, a partir dos seis meses, seja feita de forma gradativa, sem forçar, respeitando os sinais de fome e saciedade; sem desanimar quando o bebê ou a criança recusa um novo alimento. É preciso tentar até dez vezes, com paciência, para que a criança se acostume ao novo sabor e à nova textura.

 

Confira os principais cuidados com a alimentação a partir dos seis meses

Somente leite materno – Dê apenas o leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos. Isso porque o aleitamento materno sozinho nutre a criança com tudo o que ela precisa nos primeiros seis meses. Depois dessa fase, os pais podem dar, de forma lenta e gradual, outros alimentos (converse com o pediatra para saber quais), mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais. Apresentar novos alimentos antes de quatro meses de idade aumenta o risco de desenvolver alergias alimentares.

Sem rigidez – A alimentação complementar deverá ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança. Ela deve ser espessa desde o início e comida com colher. Comece com a forma pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumente a consistência até chegar à mesma da alimentação da família.

Mais variedade – Ofereça à criança diferentes alimentos todos os dias. Uma alimentação variada é, também, colorida. E deve conter todos os grupos alimentares. Estimule o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições. Evite açúcar, sal, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas, especialmente nos primeiros anos de vida.

 

Respeite o tempo de adaptação – Seu bebê está aprendendo a comer, respeite o tempo que ele vai levar para se acostumar aos novos alimentos, assim como às preferências e às novas quantidades de comida.

 

Reconheça os sinais que seu bebê dá – Oferecer alimentos de mais ou de menos pode ser prejudicial ao seu filho. Observe os sinais de saciedade e saiba a hora certa de alimentá-lo. Na dúvida, consulte o pediatra.

 

Deixe a tecnologia fora da mesa – Utilizar distrações como jogos, celulares, filmes enquanto alimenta seu filho é prejudicial para criar uma rotina saudável. Incentive seu filho a voltar toda a atenção para o momento de comer.

 

Sem chantagens – Não utilize estratégias coercitivas ou punitivas. Esse é um momento importante na vida do bebê e ele precisa ser compreendido e apoiado.

 

Comer bem não é comer muito – Apesar de a falsa ideia de que comendo muito se fica mais resistente às doenças, vá com calma. Atitudes excessivamente controladoras e impositivas podem induzir ao hábito de consumir porções mais volumosas do que o necessário e à preferência por alimentos hipercalóricos.

 

Hábitos saudáveis serão levados para a vida toda – Estimule isso desde cedo e lembre-se de que os pais são os maiores exemplos para seus filhos.

 

Cuidado com a higiene – Cuide da higiene no preparo e no manuseio dos alimentos. Garanta armazenamento e conservação adequados.

 

Fontes: Pediatras entrevistadas, Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP e “Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia da SBP”.