Será que o meu leite é suficiente? Será que é fraco? O meu bebê está ficando satisfeito? O período da amamentação é cercado de dúvidas para a maioria das mulheres, principalmente para as mães de primeira viagem. Entre as preocupações mais frequentes está a incerteza sobre a saciedade do recém-nascido. Entender o ritmo da criança e de sua rotina é uma das orientações que podem tornar este momento mais sossegado e garantir todos os benefícios do leite materno para seu filho.

 

O aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado até os dois anos de idade é indicado por pediatras e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fator de proteção e promoção de saúde para o bebê. Além do impacto positivo no desenvolvimento saudável da criança e de diminuir o risco de doenças crônicas, como alergias, complicações cardiovasculares e obesidade infantil, proporciona um vínculo afetivo único com a mãe. Certificar-se de que seu filho está recebendo a quantidade adequada de leite é uma forma de assegurar esses benefícios.

 

Roberto Issler, doutor em pediatria e membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explica que o próprio bebê vai emitir sinais de que está se alimentado ao longo da amamentação e cabe à mãe estar atenta para percebê-los. “No início da mamada, o bebê suga ativamente, demonstra estar interessado e mantém uma boa pega da aréola/mamilo. Às vezes, é possível observar e/ou ouvir o bebê deglutindo. À medida que a mamada vai transcorrendo, o bebê diminui o ritmo da sucção, podendo largar a mama ou mesmo dormir quando estiver saciado.”

 

Acompanhar o ritmo do ganho de peso do recém-nascido também é uma forma de saber se ele está mamando da forma desejável. “Deve-se observar também se o bebê suga com certa frequência – a cada duas a três horas – e se molha de seis a oito fraldas por dia”, acrescenta Roberto Issler. Ele esclarece ainda que, através de um hormônio chamado leptina, presente no leite materno, a criança consegue autorregular sua saciedade, o que pode reduzir em até 26% o risco de sobrepeso e obesidade ao longo da infância, adolescência e idade adulta.

 

Saiba mais

Posição certa pode auxiliar? O bebê precisa estar com a boca bem aberta, com os lábios virados para fora e a barriga em contato com a da mãe. Ambos, mãe e bebê, devem estar em uma posição confortável.

 Existe leite fraco? O volume e a quantidade do leite podem variar de acordo com cada mulher, mas nenhum leite é fraco. Todo leite materno tem a quantidade de nutrientes, de água e de gordura que os bebês precisam.

 Cirurgias podem interferir na amamentação? Sobretudo a redução de mama pode influenciar no sucesso do período da lactação. Durante a intervenção cirúrgica e dependendo da técnica, alguns dutos podem ser cortados ou sofrer alguma alteração. Procure um médico para ter uma orientação específica.

 

Como continuar amamentando após o fim da licença-maternidade? Mães que realizam atividades profissionais fora de casa podem continuar com o aleitamento materno. Ordenhar ao longo do expediente auxilia na manutenção da produção de leite. “É vantajoso e econômico, pois o bebê continua recebendo o leite de sua mãe com todos os benefícios que isso traz”, complementa o médico do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP.

 

Veja os sinais de que seu bebê está com fome ou está satisfeito durante a amamentação

 

Quando seu bebê estiver com fome ele pode:

 

  • Pôr a mão ou outros objetos na boca;
  • Virar o rosto e abrir a boca em direção a qualquer coisa que toque sua face;
  • Fazer movimentos ou ruídos de sucção;
  • Pressionar os dedos ou punhos contra o peito e a barriga;
  • Ficar mexendo os braços e as pernas.

 

Quando ele estiver saciado ele pode:

 

  • Pegar e soltar a mama com frequência;
  • Largar o bico durante a amamentação;
  • Cuspir o leite ou ignorar o peito;
  • Ir desacelerando o ritmo ou até mesmo dormir durante a mamada;
  • Ficar inquieto ou distrair-se com facilidade;
  • Fechar a boca ou virar a cabeça quando o peito for oferecido.

 

Fonte: American Academy of Pediatrics / Institute For Healthy Childhood Weight.

 

Conheça outros mitos sobre a amamentação na entrevista da pediatra Elsa Giugliani, do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), através do link:

<http://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/amamentacao-sem-mitos/>.

E leia também as orientações do Ministério da Saúde em:

<http://portalms.saude.gov.br/saude-para-voce/saude-da-crianca/aleitamento-materno>.