Falta de nutrientes prejudica o crescimento e afeta desempenho na escola

Pode parecer paradoxal, mas o enfrentamento da obesidade infantil é também uma luta contra a desnutrição. Isso ocorre porque as crianças obesas costumam comer alimentos com grandes quantidades de calorias e poucos nutrientes, o que especialistas chamam de calorias vazias. Portanto, estar acima do peso pode significar, além de outros problemas de saude, estar subnutrido.

Presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, a pediatra-nutra Roseli Sarni explica que os problemas nutricionais mais comuns entre crianças obesas são a anemia ferropriva (por deficiência de ferro) e a carência de vitaminas, especialmente da A e da D.

O problema gera um círculo vicioso. Além da influência exercida pela dieta com calorias vazias, estudos sugerem que a deficiência de micronutrientes, tais como as vitaminas A e D, dificultaria a perda de peso e favoreceria ainda mais o ganho de gordura corporal porque eles atuam na produção de mediadores hormonais, como a insulina. A principal fonte de vitamina D é a exposição da pele à luz solar nos horários recomendados por pediatras e dermatologistas. E o nutriente está presente em peixes (como salmão, atum e sardinha), gema de ovo, leite, fígado e cereais. A vitamina A é encontrada em alimentos de origem animal: vísceras (principalmente fígado), gemas de ovos e leite integral e seus derivados (manteiga e queijo). Já os vegetais verde-escuros e as frutas e legumes amarelos e alaranjados estimulam a formação de vitamina A.

A falta de uma dieta adequada tem impacto em diferentes esferas da vida da criança e do adolescente. "As implicações da chamada fome oculta, que é a carência de micronutrientes que pode coexistir com a obesidade, são comprometimento no desempenho escolar, fadiga, maior suscetibilidade a infecções, prejuízo no crescimento", explica a médica, acrescentando que, confirmada a carência por exames laboratoriais, o pediatra pode receitar a suplementação de vitaminas e sais minerais.

Segundo Roseli, apenas nesses casos, a tática que algumas famílias adotam de "esconder" vegetais e outros alimentos saudáveis nos pratos mais aceitos pelas crianças e adolescentes r exemplo, bater legumes no caldo de feijão de ser aceitável. "Essa estratégia poderia ser adotada apenas enquanto os hábitos saudáveis são incentivados", orienta.