Pediatra diz quais são as recomendações para cada faixa etária

Se você está em dúvida sobre em que atividade física matricular seu filho, pode tirar esse ponto de interrogação da cabeça. A natação é um consenso entre médicos e profissionais de educação física. Ela trabalha várias partes do corpo sem que articulações sejam prejudicadas, além de oferecer um ambiente lúdico e agradável para a prática. Para o pediatra e médico do esporte Marcelo Riccio Facio, crianças com excesso de peso tendem a se adaptar bem ao esporte. “Crianças acima do peso vão achar que a natação é um exercício mais fácil do que outros, como correr ou jogar tênis. Além disso, o gasto energético é comparável e na teoria discretamente maior que outras atividades, pela necessidade de se vencer a resistência da água e por trabalhar uma musculatura maior”, explica ele, listando outros benefícios da atividade. “A natação pode proporcionar um treino completo porque reúne atividade aeróbica, tonificação e alongamento. Ela pode fortalecer também os pulmões e coração, além de prevenir afogamentos a partir dos 4 anos.”

Segundo ele, a idade ideal para matricular as crianças é entre seis e 12 meses de idade, quando a maior parte dos bebês se sente confortável na água. Até os 18 meses, esse comportamento tende a se manter. Entre 19 e 24 meses, pode ser um pouco mais difícil ajustar a respiração à água. “Mas nunca é tarde demais quando se utiliza um currículo criativo e interativo. O grupo facilita o ensino e motiva as crianças a participarem com os seus pares, em qualquer idade”, afirma, acrescentando que a atividade deve ser praticada, no mínimo, duas vezes por semana. “Para crianças menores de 2 anos, aulas de 20 a 30 minutos tornam a experiência na água divertida. Entre 2 e 3 anos, uma lição de 30 minutos funciona bem. Para os maiores de 4 anos, geralmente é melhor uma aula de 40 minutos.”

Por volta dos 8, 9 anos, quando já está habituada aos quatro estilos de natação, a criança pode ser estimulada a participar de competições de maneira recreativa. Treinamentos mais intensos e competições formais só devem começar depois dos 13 ou 14 anos, de acordo com a maturidade do adolescente para lidar com as exigências físicas e psicológicas que o esporte demanda.

Em qualquer fase, Facio recomenda que se dê preferência às piscinas salinizadas. “Em crianças alérgicas, temos observado menor quantidade de crises alérgicas iniciadas pelo contato com substâncias formadas por cloro em contato com suor, urina e secreção dos banhistas.” A temperatura da água também deve ser observada. “Em geral, entre 28 e 30 graus Celsius é confortável para a natação de lazer para as crianças. Os bebês ficam mais confortáveis quando a água está mais quente, entre 30 e 32 graus. Uma temperatura inferior a 20 graus é fria para a maioria dos nadadores. Se uma criança está tremendo ou tiver cãibras musculares, ela deve ser retirada da água imediatamente e aquecida.”

Segundo o médico, inverno não é desculpa para se interromper a atividade: “A natação só deve ser interrompida no inverno se houver doença respiratória instalada. As crianças que nadam durante os meses de inverno fortalecem seu sistema imunológico através de exercícios regulares e são menos propensas a ficar doentes do que os estudantes que param nos meses frios”, orienta, sugerindo, porém, alguns cuidados na saída da água. “A criança deve estar bem seca antes de se vestir com roupas apropriadas. Também deve passar algum tempo nas áreas aquecidas do clube ou da academia antes de ir para o ambiente externo.”

Para o especialista, há poucas contraindicações à prática. Alguns problemas de saúde requerem apenas uma interrupção do exercício: “Doenças como cardiopatias, epilepsia, diabetes e outras menos comuns necessitam de supervisão e liberação médica. Bronquite, asma, amigdalite, faringite, sinusite, otite e algumas doenças de pele necessitam de tempo de cura.”

“Para as crianças obesas, a natação precisa ser combinada com outras atividades aeróbicas para atingirmos, pelo menos, cinco dias de exercício na semana”, afirma o pediatra Helio Rocha.

 

Conheça abaixo as orientações da Associação Americana de Pediatria para a prática de natação:

As crianças geralmente não estão prontas para aulas formais de natação até depois do seu quarto aniversário.

Aulas de natação para bebês e crianças pequenas não devem ser promovidas como uma forma de diminuir o risco de afogamento.

Os pais não devem se sentir seguros de que seu filho está seguro na água ou a salvo de afogamento após a participação em tais programas.

Sempre que bebês e crianças pequenas estão na água ou perto dela, um adulto deve estar à distância de um braço, proporcionando supervisão próxima.

Todos os programas aquáticos devem incluir informações sobre as limitações cognitivas e motoras de crianças e bebês, os riscos inerentes à água, as estratégias de prevenção de afogamento e o papel dos adultos na supervisão e no controle da segurança das crianças em torno da água.

Hipotermia, intoxicação por água e doenças transmissíveis podem ser prevenidas, seguindo as orientações médicas existentes, e não excluem bebês e crianças de participar de programas de experiência aquática, que são necessários.

Os pediatras devem apoiar o registro de dados sobre afogamento, fomentando pesquisas de prevenção e legislação destinada a reduzir o risco de afogamento para crianças pequenas em torno da água.