Pais devem estar atentos a sintomas de diarreia e dor abdominal

Há 30 anos, o diagnóstico mais provável para diarreia crônica ou sangramento nas fezes de uma criança seria verminose. Atualmente, os profissionais de saúde precisam considerar também a doença intestinal inflamatória (DII), cuja prevalência vem aumentando na população infantil. O alerta é do gastroenterologista pediátrico José Cesar Junqueira, professor adjunto da Faculdade de Medicina da UFRJ.

O especialista, que atua no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG-UFRJ), explica que os motivos ainda não estão claros, mas o fenômeno vem sendo observado especialmente em nações que, como o Brasil, passaram por um processo de industrialização recente: “Parte da Índia e alguns países da América do Sul conseguiram controlar as doenças infecciosas e parasitárias, mas agora encontramos muitos casos de DII, que engloba doença de Crohn, retocolite ulcerativa e colite indeterminada. Elas comprometem a qualidade da nutrição dessas crianças e, consequentemente, seu crescimento e desenvolvimento. É uma questão que merece atenção por parte das famílias e dos pediatras.”

Segundo o médico, o problema é mais comum em crianças entre 12 e 14 anos, e seus sintomas, além da diarreia e do sangramento, são dor abdominal, emagrecimento e anemia. O fator de risco mais importante é o histórico da doença em familiar de primeiro grau. Outros fatores estão sendo estudados: “Em um encontro recente da Sociedade Europeia de Gastroenterologia, discutiu-se a relação do uso de antibióticos antes dos 2 anos de idade e a incidência da doença. Esse tipo de medicamento altera a flora intestinal. Também se pesquisam os impactos que a alimentação industrializada pode ter no organismo e outros fatores genéticos.”

Junqueira afirma que o tratamento é à base de medidas nutricionais e de medicamentos imunomoduladores, que deverão ser adotados por toda a vida: “É uma doença crônica e, como tal, exige acompanhamento permanente” — afirma, frisando que os pacientes com esse diagnóstico têm direito de receber os remédios específicos pelo Sistema Único de Saúde.