Alimentação do tipo mediterrâneo é mais saudável para as crianças, dizem cientistas

Um trabalho da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, apresentado no Congresso Europeu de Obesidade, realizado em junho, mostrou que crianças que seguiam a chamada dieta mediterrânea, rica em peixes, grãos, verduras e frutas, tinham 15% menos de chances de apresentar quadro de sobrepeso ou obesidade. Os pesquisadores observaram nove mil crianças de oito países em dois momentos, com um intervalo de dez anos. No Brasil, apesar do extenso litoral, carnes vermelha e de frango são muito frequentes na dieta infantil. Segundo a nutricionista Vanessa Pereira Montera, mestre em Ciências Cardiovasculares pela Universidade Federal Fluminense (UFF), esse hábito cultural precisa ser revisto, e os peixes precisam entrar no cardápio em pelo menos três refeições por semana.

“O consumo de peixe pelos brasileiros, independentemente da faixa etária, está abaixo do recomendado. Em relação às crianças, ele é maior nas regiões Norte e Nordeste e menor na Região Sul. O peixe deve entrar num rodízio com carne bovina, frango, porco e ovos. Assim não haverá excesso de nenhuma dessas proteínas.”

Para o cardápio infantil, ela costuma indicar tilápia, sardinha e pescada.

“É preciso, porém, prestar atenção nas espinhas. Não recomendo peixes muito grandes, como o cação, pois apresentam um elevado nível de contaminação por metais pesados”, diz ela, enfatizando que esses peixes devem ser assados, cozidos ou grelhado, nunca fritos. ”Podemos fazer almôndega, hambúrguer e bolo de batata recheado, tudo com peixe.”

A nutricionista explica que, apesar de algumas famílias e médicos acreditarem que o consumo diário de carne vermelha é a maneira mais indicada de garantir a ingestão de ferro em níveis adequados, a dieta mediterrânea supre a necessidade desse e de outros minerais.

“Peixe e frango também possuem boas quantidades de ferro. Além disso, os feijões e alguns vegetais também são boas fontes. O importante é estimular a absorção do mineral consumindo, por exemplo, fontes de vitamina C, como laranja, abacaxi, manga e tangerina. Se a criança comer feijão e depois ganhar um iogurte de sobremesa, o ferro vai todo embora. O cálcio atrapalha a absorção do ferro.”

Outros nutrientes presentes nesse tipo de alimentação são os ácidos graxos ômega 3 e 6, ambos necessários ao nosso organismo.

“Precisamos de um equilíbrio entre eles. O problema é que as crianças estão consumindo relativamente muito mais ômega 6, presente nos óleos refinados, do que ômega 3, encontrado em boas quantidades no salmão, no atum, no arenque, na cavala. Isso tem impacto negativo sobre a saúde.”

Para estimular a adoção do cardápio mediterrâneo, a nutricionista sugere que os alimentos sejam apresentados desde cedo.

“O ideal é que, desde o momento da introdução alimentar até principalmente os 2 anos de idade, a criança seja estimulada a conhecer e comer os vegetais, os cereais integrais, as frutas. Arroz, macarrão e farinha integrais podem ser introduzidos para os pequenos, assim como a quinoa, a lentilha, o grão-de-bico, a ervilha. A partir dos 2 anos, podem ser oferecidas as oleaginosas, como castanhas e nozes”.