Pesquisas mostram que esses grupos podem sofrer de diabetes e hipertensão precocemente

Adolescentes com obesidade grave têm riscos de doença cardíaca ainda mais altos do que se pensava. Um estudo, publicado no início de março na edição de Pediatria da "Revista da Associação Médica Americana" ("JAMA Pediatrics", na sigla em inglês), mostrou que 15% dos participantes estavam diabéticos; aproximadamente metade tinha hipertensão arterial; e 75% apresentavam níveis alterados de uma proteína associada à doença cardíaca. Ao menos um fator de risco para problemas cardiovasculares foi identificado em 95% dos adolescentes; 5% deles tinham quatro fatores de risco ou mais associados.

O trabalho realizado por médicos da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, acompanhou 242 menores de 19 anos à espera de uma cirurgia para redução de peso entre 2007 e 2011. Em média, os voluntários tinham 17 anos e índice de massa corporal (IMC) de 50. Para os pesquisadores, os resultados indicam que o diagnco e o tratamento precoces dos fatores de risco poderiam trazer benefícios.

Para a cardiologista pediátrica Rosa Celia Pimentel Barbosa, presidente do instituto Pro Criança Cardíaca, estudos como esse são muito importantes porque chamam a atenção para um problema que nem sempre é adequadamente valorizado:

"Sabemos que as doenças cardiovasculares que se manifestam no adulto têm suas raízes na infância, mas, como não apresentam sintomas, não se dá ênfase na prevenção."

Atenta ao aumento da obesidade entre crianças no Brasil, a especialista instaurou um protocolo de acompanhamento que já conta com cerca de duas mil crianças inscritas.

"Estamos muito preocupados com a morbidade e a mortalidade das doenças vasculares no adulto. Por isso, iniciamos o protocolo para crianças a partir dos 7 anos. O controle é perio, e isso é feito independentemente de a criança ser ou não cardiopata. Levamos em conta a hist familiar, os hábitos e os exames clínicos e laboratoriais, incluindo avaliação de IMC, níveis de glicose e lipidograma. Aps resultados, orientamos a alimentação e a prática de atividade física, enfatizando que a responsabilidade é de quem cuida da criança. Se a criança está obesa, provavelmente é porque a despensa da casa deve estar abastecida com biscoitos, refrigerantes e outros alimentos prejudiciais à saude."

A médica afirma que a obesidade e suas doenças associadas têm sido observadas em todas as classes sociais:

"Não há diferença entre as crianças carentes do Pro Criança e as da minha clínica, onde atendemos crianças com cobertura de plano de saude."