Especialista ensina a prevenir e a reduzir esse risco

O vínculo de fraternidade e proximidade que une os irmãos pode estar relacionado também com o aumento de peso dos caçulas. Um estudo americano observou que crianças que tinham irmãos mais velhos obesos apresentavam mais chances de sobrepeso e obesidade. Essa relação já havia sido estabelecida em relação aos pais: filhos de obesos têm 2,3 mais possibilidade de enfrentar o problema. Mas o trabalho conduzido por pesquisadores do Hospital Geral de Massachussets e das universidades de Duke e Cornell, nos EUA, sugere que a influência fraterna é ainda maior: 5,4 vezes. O trabalho envolveu pouco mais de dez mil pessoas e foi publicado no “American Journal of Preventive Medicine”.

Para a pediatra Evelyn Eisenstein, professora associada de pediatria e clínica de adolescentes da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a influência exercida pelos primogênitos em diferentes situações já é conhecida. Os mais velhos têm certo poder sobre os mais novos. Segundo ela, os resultados do estudo reforçam o caráter multifatorial da obesidade.

“Essa é uma doença decorrente de muitos fatores: ambientais, genéticos e epigenéticos, ou seja, dependendo do contexto, o gene se modifica e se expressa de uma maneira mais evidente. As famílias compartilham vários desses fatores”, explica a médica, enfatizando a importância de que todos os membros se envolvam no tratamento da obesidade infantil. “Não se podem distorcer os resultados. Os irmãos mais velhos não são culpados pelo ganho de peso dos menores. É preciso estudar a dinâmica familiar, caso a caso, para intervir.”

Evelyn Eisenstein acrescenta que a influência do filho mais velho pode se manifestar de maneiras distintas:

“A influência pode ser positiva ou negativa, congruente ou incongruente, isto é, às vezes ela se manifesta pelo oposto. Acompanhei duas irmãs adolescentes com transtornos alimentares. A mais velha desenvolveu anorexia, e a mais nova, obesidade. Era uma espécie de compensação. Uma comia tudo o que a outra deixava de comer.”

Por isso, os pais devem estar atentos às características de cada filho e aos aspectos afetivos das relações. Apostar que o mais velho será um bom exemplo e descuidar dos demais é um equívoco. “Estudos longitudinais mostram que o controle da obesidade se mantém nos grupos em que toda a família se envolve no tratamento, baseado numa alimentação saudável e equilibrada com gasto calórico em atividades de lazer”.