Manual traz orientações para uma dieta mais saudável e exemplos de refeições

As famílias brasileiras contam com mais um aliado em prol da alimentação saudável. O novo “Guia alimentar para a população brasileira”, lançado em novembro, atualiza a edição de 2006 e traz orientações importantes sobre alimentação. Desta vez, o trabalho, elaborado pelo Ministério da Saúde com a colaboração técnica do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP), é voltado para a população em geral e inova ao tratar de alimentação levando em conta não apenas aspectos técnicos de nutrição, mas também os fatores sociais e culturais envolvidos nas refeições.  Clique aqui e conheça o material: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf.

“O novo guia fala mais de comida, usa menos termos técnicos e aborda as circunstâncias que envolvem o ato de comer (como, onde e com quem comer)”, afirma a pesquisadora Maria Laura da Costa Louzada, da USP, destacando que a base das recomendações do manual considera os padrões de alimentação de uma parcela substancial da população brasileira, sempre privilegiando os alimentos frescos e as preparações caseiras.   “A principal base do guia é aquilo que a gente já come e não aquilo que está destacado em estudos que, muitas vezes, foram feitos em países com hábitos alimentares bem diferentes dos nossos.”

O guia não traz receitas, mas mostra exemplos de refeições muito comuns no Brasil. Segundo Maria Laura, valorizar as tradições culinárias de cada região é uma estratégia para melhorar a qualidade da alimentação dos brasileiros: “Nos estudos que fizemos para a elaboração do guia, vimos que as pessoas que ainda comem ‘comida de verdade’ com as marcas regionais têm uma alimentação muito mais saudável do que aquelas que comem as comidas industrializadas. Além disso, valorizar a comida regional ajuda a preservar a cultura, a História e evita a padronização da alimentação ao redor do mundo.”

Diferentemente da edição anterior, o material não prioriza os grupos alimentares e suas porções diárias recomendadas. “Ao avaliarmos os pontos positivos e negativos da primeira versão, vimos que essa abordagem era pouco efetiva para orientar as pessoas. Quando comemos, não conseguimos e nem devemos ficar cuidando de porções e calorias dos alimentos. A ideia de um guia é dar autonomia para as pessoas fazerem suas escolhas. O controle do peso corporal e não a contagem de calorias é a forma de se perguntar ‘a quantidade de alimentos que estou comendo está adequada?’”, explica a nutricionista, afirmando que o processo de elaboração pela equipe multidisciplinar foi longo e contou com oficinas de que participaram profissionais de todas as regiões do país e de diversos setores, antes de ser submetido à Consulta Pública.

O guia também enfatiza que todos em casa – homens e mulheres – devem participar do preparo dos alimentos e sugere que as habilidades culinárias sejam passadas às crianças: “Crianças e adolescentes de ambos os sexos, de acordo com as limitações da fase de desenvolvimento em que se encontram, certamente podem e devem participar da partilha das atividades na cozinha. Ensinar a criança a tirar seu prato da mesa, por exemplo, já pode ser um primeiro passo. Sabe-se que historicamente essas tarefas foram de responsabilidade da mulher, e, com a dinâmica de trabalho atual, a única forma de mantermos e cultivarmos o prazer pela culinária é não deixarmos as tarefas pesarem apenas para uma pessoa da família.”

A pesquisadora resume alguns conceitos que orientaram a elaboração do guia: “O comer é muito mais do que o alimento. Uma rotina alimentar saudável depende de um ambiente saudável. Isso inclui locais adequados para compras de alimentos frescos, transporte público de qualidade, jornada de trabalho justa, tempo e locais disponíveis para prática de atividade física, entre outros. Obviamente, muitos desses elementos estão muito além da nossa escolha individual, mas a consciência dos obstáculos já é o primeiro passo. Por causa disso, o último capítulo do guia discute algumas dicas de como superá-los e de como podemos lutar pela garantia de melhores condições de vida.”

 

Veja os dez passos para uma alimentação saudável

 

- Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação.

- Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias.

  • Limitar o consumo de alimentos processados.
  • Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados.
  • Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia.
  • Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados.
  • Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias.
  • Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece.
  • Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora.
  • Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais.
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    Fonte: “Guia alimentar para a população brasileira”, 2ª edição, 2014.