Prevenir ou tratar a obesidade é sempre muito difícil. Estudos estrangeiros do tipo "seguimento por vários anos" nunca mostram índices de cura satisfats. A nossa vivência nos ambulats universitários brasileiros demonstra o mesmo. O sentimento de frustração em tratar crianças e adolescentes obesos é um constante sofrimento. O desânimo entre os pacientes os faz acreditar que não é possível emagrecer. É comum buscarem razpara não se tratarem em frases como: "Eu sou assim mesmo"; "Eu tenho problemas de glândulas"; "Eu não como nada e engordo". Atuar antes que se chegue a esse estado é a oportunidade de se ter algum sucesso.

Na prevenção, a participação da família é a melhor ferramenta. Se, de um lado, atitudes positivas de controle e incentivo são bem-vindas, por outro, relacionamentos ruins entre pais que já não coabitam tornam a criança um objeto de disputa. Não raro, ela é alvo de promessas e recompensas como a permissão de comer o que normalmente não lhe é permitido: "Se você fizer isto, ou não fizer aquilo, vou permitir..." ou algo que o ex-cge não permitiria. É fácil conquistar a simpatia de um gordinho assim. Essa atitude é muito comum também entre os parentes que moram no mesmo condomínio ou no mesmo quintal, em especial em crianças de baixa renda e escolaridade. A criança aprende facilmente a se deslocar entre as moradias dos familiares ou conhecidos em busca de afeto na forma de comida, rompendo o "controle" da mãe.

Reconhecer que a obesidade é uma doença pode trazer intranquilidade e até preconceito para quem passa de fofo a doente, mas as autoridades sanitárias o devem fazer, e o conceito, aplicado pelos profissionais no convencimento dos responsáveis. É muito mais impactante para pais, irmãos, av tias saber que estão impedindo que ocorra uma doença do que simplesmente serem chamados para evitar algo que, na visão deles, deixa a criança "bonita", satisfeita e afetuosa. Por que dar atenção a um profissional que achou que o fofinho (a) está com excesso de peso? Ouço frequentemente: "Ela não tem nada", "Até crescer, resolve", "Eu era assim quando criança", "Eu também não gostava de educação física", entre outras frases.

A ação da família na prevenção é fundamental, e a mãe ou responsável é o centro dessa intervenção. Investir na formação dela e de sua rede de apoio continua sendo a medida com os melhores resultados na luta contra a epidemia da obesidade.

*Hélio Fernandes da Rocha é chefe do Serviço de Nutrologia Pediátrica do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, da UFRJ.