Os transtornos alimentares geralmente apresentam os seus primeiros sinais na infância e na adolescência, e podem causar sérios danos à saude, além de consequências no desenvolvimento psicossocial da criança ou do adolescente, assim como na dinâmica familiar e no desempenho escolar. Os mais conhecidos são a anorexia nervosa, a bulimia nervosa, o transtorno da compulsão alimentar peria e as síndromes parciais de anorexia e de bulimia e de compulsão alimentar. O profissional de saude e os familiares têm um papel extremamente importante no diagnco dos sinais e dos sintomas iniciais, pois a intervenção precoce pode ser decisiva.

As pesquisas mostram que os transtornos alimentares são mais frequentes em mulheres, porém especialistas têm observado um aumento da ocorrência em meninos e adolescentes, diz o psiquiatra José Carlos Appolinário, coordenador do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia. Portanto, é preciso ficar atento a comportamentos sugestivos de um transtorno alimentar nessa idade, como, por exemplo, mudanças bruscas para hábitos vegetarianos, busca por alimentos com "baixo teor de gordura", contagem de calorias e pesagem corporal repetidas vezes. Outro sinal é a tendência a comer menos, em menores porções e a levar um tempo longo para finalizar as refeições:

"Deve ser dada atenção às saídas estratégicas da mesa logo aps refeições. Isso pode sinalizar algum grau de comportamento purgativo, como vos autoinduzidos", alerta Appolinário.

Um dos transtornos é a anorexia nervosa. Ela se inicia geralmente na infância ou na adolescência, é marcada pela restrição dietética progressiva e pela insatisfação do adolescente com seu pro corpo, diz o psiquiatra. "O medo de engordar é uma característica, e a doença é caracterizada pela perda de peso progressiva e continuada", explica.

Em alguns casos de anorexia, no lugar da perda de peso, pode haver apenas redução no ganho de peso esperado. Além dos comportamentos restritivos, os pacientes podem apresentar formas em que ocorrem episs de compulsão alimentar e/ou comportamentos mais perigosos, como vos autoinduzidos e abuso de laxativos e diuréticos. Também a prática de exercícios físicos é frequentemente observada. E várias complicações podem surgir em decorrência da desnutrição e dos comportamentos purgativos, tais como anemia e alterações endnas: "A associação com depressão e outros transtornos psiquiátricos é comum. E pode haver importante atraso no desenvolvimento, o que aumenta o risco de osteopenia, osteoporose e baixa estatura", comenta o médico.

O tratamento da anorexia deve ser conduzido por equipe multiprofissional, afirma Appolinário. "A integração das abordagens médica, psicola e nutricional é a base da terapêutica. Se a opção for pelo tratamento ambulatorial, deve-se definir a frequência de consultas: intensiva ou menos intensiva. A psicoterapia em suas diversas modalidades (cognitivo-comportamental, interpessoal e a terapia de família) ainda é um dos pilares do tratamento. E, apesar de não existir um medicamento específico para a anorexia, há drogas que podem ser coadjuvantes no tratamento", diz o psiquiatra.

Na bulimia, a compulsão alimentar é o sintoma principal. O indivíduo come uma quantidade de comida considerada exagerada e tem a sensação de total falta de controle sobre o seu pro comportamento: "Esses episs ocorrem às escondidas, na grande maioria das vezes, e o vo autoinduzido é o método compensat mais usado. Porém há outros, como o uso inadequado de laxativos e diuréticos; jejuns prolongados; e a prática de exercícios físicos em excesso para controlar o peso. Como na anorexia, o tratamento deve ser conduzido por uma equipe multiprofissional", diz o médico.

Há ainda o transtorno da compulsão alimentar peria. Esses pacientes apresentam os episs de compulsão alimentar, mas não usam as medidas extremas para evitar o ganho de peso: "A maioria dos pacientes com esse transtorno é obesa. O tratamento requer orientação dietética adequada, com refeições regulares, psicoterapia cognitivo-comportamental e, em casos indicados, o uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (fluoxetina) ou topiramato, entre outros fármacos". Vale lembrar que cerca de um terço dos pacientes que procuram tratamento apresenta um conjunto de sintomas difícil de classificar como transtorno alimentar típico. São quadros que se assemelham à anorexia e à bulimia, mas que não preenchem totalmente os seus critérios, ou quadros de transtornos alimentares em desenvolvimento ou recuperação.