O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio comportamental caracterizado por sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade, que atinge 5,29% da população infantojuvenil no mundo e impacta diretamente os círculos familiar, escolar e social de seus portadores. Especialistas vêm estudando a possibilidade de o TDAH estar associado a uma das principais epidemias da atualidade: a obesidade infantil.

Estudos mostram um aumento do número de casos de TDAH em obesos e vice e versa. Segundo alguns pesquisadores, a obesidade, ou fatores associados a ela, como problemas do sono, pode levar ao desenvolvimento de TDAH. E há quem afirme que o TDAH interfere na troca de informações entre mensageiros químicos do cérebro (os neurotransmissores), induzindo a comportamentos como comer além do necessário e inclusive ao uso de drogas. De acordo com a pediatra Mariana Facchini Granato, do Ambulatório de Distúrbios do Aprendizado do Instituto da Criança, no Hospital das Clínicas da FMUSP, em geral, crianças com TDAH têm pouco autocontrole e são impulsivas, o que faz com que comam mais do que precisam, mesmo sem fome.

“Elas podem não perceber quando estão saciadas. Além disso, a desatenção e a dificuldade dessas crianças em realizar tarefas podem prejudicar o hábito de se alimentar de forma correta e levar a distúrbios alimentares. Somado a isso, crianças e adolescentes com TDAH não lidam bem com emoções e estão frequentemente expostos a situações de frustração. O hábito de comer demais, nesses casos, pode ser uma forma de recompensar a insatisfação com algo. Alguns cientistas afirmam que indivíduos com TDAH apresentam maior predisposição para desenvolver a Síndrome de Deficiência de Recompensa, algo que ocorre também com dependentes químicos”, declara Mariana, que também é médica do Programa de Avaliação do Desenvolvimento, Comportamento e Aprendizagem da Clínica de Especialidades Pediátricas, no Hospital Israelita Albert Einstein.

Na opinião de Mariana, há um grande número de diagnósticos em que os sintomas são decorrentes de um contexto familiar e/ou escolar inadequado e não da doença. Entretanto, ainda há muitos casos de TDAH que são subdiagnosticados e estas crianças não recebem o tratamento adequado, o que poderia trazer grandes benefícios para seu aprendizado e socialização.