Para enfrentar a obesidade infantil, devemos pensar de início em uma mudança nas relações entre as crianças e os seus familiares. Especialmente nos períodos de férias e festas, geralmente elas têm suas rotinas alteradas, com consequente impacto em sua alimentação diária. Nesses momentos de maior convivência com avós, tios, madrinhas e outros amigos, o alimento não deve ocupar o lugar central, mas sim de interatividade e convívio entre a criança e seus entes queridos.

 

Isso significa que no dia a dia devem ser respeitadas as orientações do pediatra e do nutricionista para crianças em acompanhamento nutricional. E quanto às demais, os pais e os responsáveis devem oferecer mais legumes, verduras, frutas, deixando as guloseimas apenas para as festas e visitas. O cardápio nas horas de lazer deve, sempre que possível, ser preparado com ingredientes menos calóricos.

Evidentemente que, em certas ocasiões, se pode e deve oferecer uma ou outra guloseima favorita da criança, mas não todos os quitutes ao mesmo tempo. E de preferência acompanhada de algo saudável. Por exemplo, um bolo ou pudim com suco natural em vez de refrigerantes e bebidas industrializadas. 

Outro aspecto importante é tentar fazer as refeições, e até mesmo lanches, em família. Esses instantes podem ter a frequência possível, mas sua ocorrência deve ser garantida. A alimentação deverá ser feita em horários regulares e com todos à mesa, sem acesso a aparelhos de TV ou tablets e celulares. Esse hábito, além de valorizar o convívio familiar, proporciona uma melhor percepção da fome e da saciedade em crianças e adultos.

Quando fazemos refeições e lanches de forma desorganizada, a qualquer hora e lugar ou realizando outra atividade, temos maior dificuldade em controlar a quantidade e a qualidade do que ingerimos. Os pais e os responsáveis devem pensar na alimentação dos seus filhos como um dos vários itens que devem ser ensinados. É mais um sinal de afeto. 

 

*Adriana Fernandes Caparelli Dáquer é psicóloga clínica do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares (GOTA), do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE), no Rio de Janeiro. 

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