Quem está acostumado a fazer compras em grandes mercados já observou: as prateleiras de açúcar estão cada vez mais cheias. Ao lado do açúcar branco e refinado, ganham espaço outras variedades de adoçantes, inclusive naturais, obtidos de diferentes matérias-primas e processos de industrialização. A nutricionista Simone Augusta Ribas, preceptora de Residência em Nutrição em Pediatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe/Uerj), aponta vantagens e desvantagens de cada produto para que você possa colocar no carrinho a opção mais saudável para sua família.  “O açúcar de fato deve ser ingerido com moderação, já que o uso desregrado pode provocar a obesidade e desenvolver o diabetes.  Hoje existem diversas alternativas de substituição do açúcar que nos ajudam a realizar preparações mais saudáveis, com menos calorias, favorecendo a prevenção dessas doenças crônicas”.

No caso do mel, Simone lembra que os nutrientes presentes no alimento se perdem, se ele for exposto a temperaturas além de 40º C. “Se for aquecido no micro-ondas, por exemplo, o mel perde seu potencial nutritivo. Caso se cristalize, coloque-o em banho-maria ou sob o sol para torná-lo viscoso novamente”, explica ela, alertando que o consumo por bebês com menos de um ano não é recomendado. “O objetivo dessa orientação é prevenir a ingestão de esporos da bactéria Clostridium botulinum, bacilo responsável pela transmissão do botulismo intestinal”.

 

         Ela alerta também para uma troca que pode não ser vantajosa: a do açúcar comum pelo açúcar light ou magro. Essa versão mistura a sacarose (açúcar comum) com adoçantes (edulcorantes) numa proporção de 50% a 70%. Embora tenham sido aprovados pelos órgãos competentes, esses açúcares são indicados para adultos que queiram restringir a ingestão de calorias. Segundo ela, a indicação de adoçantes artificiais para crianças e adolescentes ainda é controversa. Alguns tipos, como estévia e sucralose, podem ser indicados para crianças com obesidade mórbida ou com algumas síndromes genéticas que promovam a obesidade grave. Mas essa recomendação deve partir do pediatra ou nutricionista. “É importante lembrar que simplesmente substituir alimentos comuns por light na tentativa de diminuir o peso do seu filho não é indicado. O ideal é apostar na reeducação alimentar. Aumente a oferta de frutas, verduras, legumes e restrinja o consumo de alimentos ultraprocessados como salgadinhos e biscoitos recheados e de refrigerantes e bebidas açucaradas. Há décadas, a alimentação saudável, natural e balanceada, aliada a uma prática física regular, é o melhor tratamento para prevenção da obesidade infantil”, resume.   

         Entre as alternativas, ela cita o mel, o extrato de agave e os açúcares mascavos e demerara, que contêm mais nutrientes e menos aditivos químicos do que o açúcar refinado.