Com o primeiro título mundial, conquistado por Gabriel Medina em Pipeline, no Havaí, no fim do ano passado, o surfe brasileiro passou a atrair ainda mais atenção de meninos e meninas que querem se iniciar nesse esporte. Segundo o professor de Educação Física Henry Ajdelsztajn, coordenador do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento do Surfe (Cades), na Barra da Tijuca, a procura por aulas aumentou:

Para Ajdelsztajn, o surfe, o bodyboard (BB) e o stand-up paddle (SUP) oferecem benefícios comuns a outras atividades físicas, como melhora do condicionamento físico, do desenvolvimento mlo-esquelético e da oxigenação do cérebro e do equilíbrio. Mas essas modalidades promovem ainda uma tomada de consciência em relação ao pro corpo e à natureza.

"Trabalhamos muito a atenção ao mar. É preciso tomar cuidados que envolvem ondas, valas, bancos de areia, correntes, marés, direções de ventos e tipos de arrebentação", explica o professor. "Outro cuidado importante é com a proteção solar, a hidratação e a alimentação. Buscamos princípios que norteiam uma vida mais saudável. Essa é a visão do professor que ensina surfe, SUP e BB e, ao mesmo tempo, educa."

Segundo Ajdelsztajn, o Cades tem dez regras técnicas para diminuir os riscos de lese acidentes.

"São cuidados ao entrar e sair da água, onde se posicionar em relação à onda, como proteger a cabeça se cair da prancha. Mas as lesnão são frequentes como nos esportes coletivos de contato. O mais comum são pequenos cortes e assaduras resultantes da fricção do corpo contra a parafina", diz. "A duração depende da idade, mas com sessde uma hora já podemos obter bons resultados tanto em termos técnicos como em saude."

A idade ideal para começar a atividade não é consenso. No Cades, alunos a partir de 3 anos de idade podem iniciar as atividades.

"É desejável que a criança já saiba nadar, mas não é um pré-requisito. Logicamente, para se ter segurança, o pai e a mãe têm de se preocupar que o professor dessa criança tenha uma formação pedaga em Educação Física, o que garantirá conhecimento para adaptar a atividade à realidade do aluno em relação à idade e ao histo de vida e familiar. Para uma aula produtiva com crianças em torno dos 4 anos, entramos no mar praticamente sem ondas. Apenas o balanço das ondulações já é suficiente para treino dos fundamentos básicos. Além disso, a criança usa colete salva-vidas." O Cades, por meio do projeto Rio Surfe Social, oferece atividades esportivas gratuitas para alunos de baixa renda da região do Recreio dos Bandeirantes e adjacências.

Responsável pelo Grupo Técnico de Medicina Desportiva da Sociedade Brasileira de Pediatria e chefe do Serviço de Adolescentes do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira da UFRJ, o médico Ricardo Barros é um entusiasta das atividades no mar. Ele aconselha, porém, que a prática s inicie aps 5 anos, quando a criança já souber nadar. "O pediatra é o medico indicado para fornecer a liberação para atividades recreativas", comenta.

"O surfe, o BB e o SUP são fantásticos. Mas duas coisas são fundamentais: um mínimo de natação e saber respeitar o mar. Mesmo no mar flat (liso, sem ondas), as crianças precisam saber nadar. Nessa faixa etária, eles perdem logo o medo e, sabendo nadar, conseguem sair de um sufoco. É importante frisar ainda que deve haver um responsável para cada criança e não para um grupo de alunos", alerta ele, que ensinou os três filhos, hoje rapazes entre 31 e 15 anos, a pegar ondas. "Essas modalidades trabalham o equilíbrio físico e psicolo. É preciso controlar a ansiedade e esperar a onda".