Nas grandes cidades, as frutas e verduras parecem já não brotar mais da terra, e sim das prateleiras e gôndolas dos supermercados, algumas já descascadas, cortadas e embaladas a vácuo, com direito a etiqueta e código de barras. Ou seja, nos afastamos do campo. Cerca de 85% dos brasileiros vivem em área urbana, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As hortas urbanas, iniciativa que tem se espalhado pelo país, são uma espécie de freio e, ao mesmo tempo, de passo em direção ao campo que deixamos para trás e à alimentação sustentável. 

As hortas urbanas estão sendo produzidas em várias cidades, com diversos tamanhos, pessoais ou institucionais, na varanda, na comunidade ou no telhado de centros comerciais. E são capazes de produzir frutos bastante promissores: geração de renda, incremento da vida comunitária e produção de alimentos mais saudáveis, sem uso de agrotóxico, por exemplo.

Em São Paulo, o Shopping Eldorado apostou num grande telhado verde como destino dos restos de comida jogados fora pelos clientes das praças de alimentação. São 400 kg por dia. As sobras passam primeiro por um processo de compostagem, que consiste no tratamento do lixo orgânico para eliminação do cheiro, do chorume, do sal, da gordura e de outros elementos.

A horta começou em 2012. Hoje a plantação aproveita 13 toneladas de material orgânico por mês e tem 3 mil m2 de extensão. Todas as frutas, verduras e até flores plantadas no telhado são doadas aos 430 colaboradores do centro comercial.

No Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente desenvolve há dez anos, em escolas e em comunidades, um projeto chamado Hortas Cariocas. Entre os objetivos iniciais estavam a geração de renda, a facilitação do acesso a produtos orgânicos – que costumam ser mais caros – e uma reaproximação das pessoas da cidade com o campo. Mas segundo o coordenador da Gerência de Agroecologia e Produção da Secretaria, Júlio César Monteiro de Barros, o trabalho deu frutos inesperados. Um deles foi o que ele chama de “reversão no fluxo da educação alimentar”.

Com a entrada das hortas cariocas nas escolas, as crianças passaram não só a levar alimentos mais saudáveis para casa, como a educar os pais quanto à necessidade de comer melhor. “Primeiro, os alunos começaram a perceber que é gostoso comer o que eles mesmos plantaram. E passaram a levar os produtos para casa e a reverter o fluxo da alimentação, influenciando os pais”, disse Júlio César.

Nas escolas, uma parte da produção também é usada para incrementar a merenda. Nas comunidades, uma parcela é doada e outra é vendida a preços mais baratos. Hoje, há 38 hortas em funcionamento. Esse número já chegou a 52, mas houve paralisações (casos onde o trabalho não deu certo) e emancipações (casos de sucesso, em que a comunidade se apropriou do projeto). Segundo Júlio César, hoje não há orçamento nem pessoal para dar conta dos mais de 300 pedidos de implantação de novas Hortas Cariocas. 

 Funcionário colhe verduras de uma horta urbana para famílias em comunidade carioca; iniciativa ajuda na reeducação alimentar

Dicas para fazer uma horta em casa

Divida a área que você vai usar em quadrados ou retângulos menores. Cada verdura, legume ou erva diferente deve ocupar um espaço próprio.

Se for fazer em vaso, monte camadas de argila expandida ou areia de construção e terra adubada com composto orgânico.

Escolha um local da casa ou do apartamento que receba luz. 

Regue a cada dois ou três dias. O ideal é adotar o sistema de gotejamento. 

Observe diariamente as folhas para ver se não há pragas. Se ela estiver contaminada, arranque as folhas doentes e pulverize com chá de fumo-de-corda, por exemplo.

Não cultive a mesma espécie no mesmo lugar no plantio seguinte. Faça um rodízio.

Exemplos de plantas por categoria:

Pequenas: rabanete, cenoura, cebola, espinafre, alface, salsa e beterraba.

Grandes: repolho, brócolis, couve-flor, berinjela e pimentas.

Verticais: tomate, pepino, vagem, feijão e ervilha.

 

Fonte: Programa Meu Prato Saudável, criado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Divulgação: Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro (SMAC).