As gorduras ocupam o posto de vilã da boa nutrição, segundo o senso comum. O que muitos desconhecem é que, consumidas com moderação, são as maiores fontes de energia para o corpo humano. Seu uso excessivo, porém, pode aumentar os riscos de obesidade e doenças cardiovasculares. As gorduras naturais, encontradas em óleos ou animais, são saudáveis. Um exemplo é o óleo de oliva (azeite), que tem propriedades antioxidantes protetoras das células, sendo, portanto, importante na prevenção de doenças.

Segundo a nutricionista Vilma Blondet, pesquisadora e professora associada da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutora em Ciência de Alimentos, “temos que ter em mente que tudo depende de equilíbrio. O azeite é um óleo vegetal rico em ácidos graxos insaturados que têm efeito protetor em nosso organismo. Mas, devido ao seu grande conteúdo de energia, não deve ser consumido livremente. Uma salada de baixa densidade energética, para quem quer emagrecer, pode deixar de ser adequada se acrescentarmos muito azeite”.

Uma dúvida comum dos pais é que tipo de gordura acrescentar no sanduíche das crianças: manteiga ou margarina. Para o pediatra Hélio Fernandes da Rocha, chefe do Serviço de Nutrologia Pediátrica do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, da UFRJ, “a primeira opção sempre deve ser a manteiga em quantidades suficientes para dar paladar sem transformá-la em recheio de sanduiche. Já as margarinas são gorduras (óleos) modificadas pela indústria para ter consistência e aparência de manteiga, são gorduras hidrogenadas artificialmente e as trans. Elas contribuem para acelerar a formação de placas de ateroma (arteriosclerose) nas artérias, mas podem ser indicadas para reduzir a quantidade de colesterol ingerida”.

O pediatra acrescenta que as papas de legumes para bebês devem sempre conter gorduras na forma de óleos chamados poli-insaturados, entre os quais aqueles que o corpo não produz e que têm funções especiais, como os existentes em pescados e os de origem em sementes, nozes e castanhas: “Elas são alimentos essenciais e imprescindíveis ao crescimento e à composição corporal.”.

Para o prato do dia a dia das crianças brasileiras, o arroz com feijão, o importante é não deixar o óleo, que pode ser o de soja, em temperatura muito elevada e por muito tempo. Uma das características do óleo inadequado para o uso é a cor. Quando o óleo está escuro de tanto ser usado em frituras, mostra decomposição de seus compostos e formação de outras substâncias que podem causar problemas para a saúde. É preciso observar quantas vezes o óleo foi usado e a mudança de cor.

Em geral, deve ser evitada a adição de gorduras, como o azeite, diretamente no prato uma vez que a gordura da qual uma criança necessita já está distribuída nos alimentos que são consumidos ao longo do dia. E uma última dica: os pais devem suspeitar sempre de alimentos industrializados. Em geral, as indústrias abusam das propriedades atraentes que conseguem com as gorduras trans.

Quer aprender mais sobre as gorduras e a prática de atividade física? Assista ao episódio Nutri Ventures “Vamos queimar gorduras”, o de número 16.