A obesidade infantil não é um problema da criança, mas sim da família. Esse é o alerta da psicóloga Maria Alexina Ribeiro, vencedora do Prêmio Amil de Obesidade Infantil na Região Centro-Oeste. Seu projeto "Obesidade e família" investiga o dia a dia de famílias que enfrentam a obesidade infantil. O trabalho já atendeu mais de 30 famílias.  

 

Alexina afirma que a obesidade infantil não é um problema da criança, mas de toda família. Portanto, a família deve ser tratada.

 

“Nas famílias de crianças obesas encontramos conflito e falta de coerência entre os pais, outros membros obesos, demora noreconhecimento da doença dos filhos, bullying por parte dos irmãos, falta de disposição dos pais na diversificação de atividades físicas dos filhos, pouca colaboração dos outros membros e até sabotagem do tratamento. Identificamos também outros familiares com problemas como depressão, uso de álcool e drogas, o que mostra que a família tem dificuldades e que a obesidade não é o único problema. Daí a importância do envolvimento de todos”.

  

Diferentemente das campanhas de prevenção contra obesidade, que focam nos benefícios da alimentação saudável e da prática de atividade física, o projeto liderado por Alexina leva em conta as emoções, as atitudes e as relações que influenciam o comportamento alimentar:

 

“O uso de abordagem de atendimento psicossocial às famílias de crianças obesas é um avanço porque este tema tem sido muito discutido, mas propostas eficazes ainda não são conhecidas. O que temos visto, inclusive nas iniciativas dos órgãos públicos de saúde, são ações pouco integradas, que visam apenas à criança, não levando em consideração o seu contexto psicossocial. A família tem influência importante no surgimento, na manutenção e no tratamento da obesidade infantil”, acrescenta Alexina, professora da Universidade Católica de Brasília.

 

O trabalho liderado por Alexina pode ser útil aos serviços de atendimento de saúde à comunidade porque estão pautados nos direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pelos códigos de ética das diferentes categorias profissionais. 

 

“Uma vez engajada ao projeto, a família colabora e reconhece que pode ajudar no tratamento. A família precisa assumir sua responsabilidade, com a ajuda da escola, da sociedade como um todo e do Estado, que precisa fazer sua parte para garantir condições de vida saudável a todos os cidadãos”, diz a professora.

 

Segundo ela, a obesidade precisa ser encarada como doença grave. “No Brasil, temos uma ideia romanceada do obeso: é o ‘gordinho engraçado e simpático’, o ‘gordinho gente fina’. Por trás dessa imagem, há um indivíduo que sofre. Muitas vezes fica deprimido e não tem espaço para falar desse sofrimento, porque em muitas famílias esse é um tema tabu.”