Estima-se que 8% da população brasileira façam dieta vegetariana, segundo dados do Target Group Index, do IBOPE Media (15,2 milhões, em 2012). Apesar de a pesquisa não trazer dados sobre número de crianças vegetarianas no país, um grande número de famílias segue esse tipo de alimentação. Afinal, isso é bom ou ruim? 

Na opinião da médica Virgínia Weffort, presidente do Departamento Científico de Nutrologia e Suporte Nutricional da Sociedade Brasileira de Pediatria, criança não deve fazer dieta vegetariana, pois “está em desenvolvimento e necessita de todas as vitaminas e minerais dos alimentos”. E isso não se repõe com suplementos. Dependendo do tipo de alimentação vegetariana, a criança pode ter deficiência de vitamina B12 - encontrada quase exclusivamente em alimentos de origem animal (carne, fígado, rins, leite, peixes e ovos, por exemplo) -, um nutriente essencial para a produção de células nervosas e do sangue. A criança vegetariana também pode apresentar deficiência de cálcio – encontrado em leite e derivados -, mineral essencial na formação e manutenção de dentes e ossos.

“Para crianças, a dieta vegetariana mais adequada é a semivegetariana”, afirma Virgínia. Nesse tipo de alimentação, são excluídas a carne vermelha e a carne de porco, mas incluídas as carnes brancas, além de ovos, leite e derivados e mel”. Ela recomenda esperar até a adolescência se realmente a opção for pela dieta vegetariana, quando já se tem mais informações sobre os diferentes tipos de alimentos e necessidades nutricionais. 

Na dieta vegetariana, a restrição pode ser apenas com relação a carnes ou também excluir ovos e leite ou todos os alimentos de origem animal. A Sociedade Brasileira de Pediatria não tem um posicionamento sobre dieta vegetariana para crianças, pois falta consenso sobre o assunto. Em artigo publicado no site da Sociedade Vegetariana Brasileira, o médico Eric Slywitch afirma que “a dieta vegetariana bem planejada é adequada nutricionalmente para crianças. E que o maior cuidado deve ser em relação à suplementação da vitamina B12”. 

Consumo de carnes: Embora o consumo de carnes ou de outros alimentos de origem animal, como o de qualquer outro grupo de alimentos, não seja absolutamente imprescindível para uma alimentação saudável, a restrição de qualquer alimento obriga que se tenha maior atenção na escolha da combinação dos demais alimentos que farão parte da alimentação.

Cuidado com restrições: Quanto mais restrições, maior a necessidade de atenção e, eventualmente, do acompanhamento por um nutricionista (no caso de crianças, com supervisão do pediatra). 

Para saber mais: Leia o “Guia Alimentar para a População Brasileira” (http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf), do Ministério da Saúde.