A menina tão pequenina de Cecília Meireles não sabia nem dm ré, mas ficava na ponta do pé. A poesia aponta o que especialistas confirmam: crianças têm vocação para a dança. E essa pode ser uma a atividade para colocá-las em movimento e evitar o sedentarismo.

"Dançar não sdivertido como também muito favorável ao bem-estar físico e emocional das crianças, além de queimar calorias. A dança traz muitos benefícios para as crianças. Ela melhora a coordenação motora, estimula o desenvolvimento intelectual, desenvolve a lateralidade, aumenta a concentração, dá noções de espaço e de localização, beneficia a flexibilidade e a resistência corporal, corrige a postura, aumenta a autoestima, ajuda a fazer amigos, contribui para o equilíbrio e os reflexos, e auxilia na disciplina. A dança facilita também a expressão corporal e a forma de a criança interagir e se expressar diante das  pessoas ao seu redor", explica Vera Lucia Perino Barbosa, doutora em Ciências da saude e presidente do Instituto Movere, que inclui a dança entre as várias atividades oferecidas para crianças em situação de vulnerabilidade social. "Quando a criança já é maior, a dança também estimula o desenvolvimento dos ossos e dos grupos musculares".

Segundo ela, que é graduada em Educação Física, o balé clássico é uma das modalidades mais recomendadas às crianças pequenas, desde que ministrado de forma la. A partir dos 3 anos, meninos e meninas podem brincar de dançar:

"As atividades a serem aplicadas com as crianças devem ser naturais, envolvendo andar, correr, saltar, equilibrar, rodopiar, girar, rolar, rastejar, galopar e lançar. O foco é no desenvolvimento das noções de tamanho, forma, agrupamento e distribuição. As atividades devem estar voltadas para uma sequência pedaga que parta do simples para o complexo, do concreto para o abstrato, do espontâneo para o específico e de um ritmo inicialmente lento para o "alegro", mais agitado", orienta, afirmando que a duração das aulas também varia de acordo com a faixa etária. "A frequência recomendada é de duas a três vezes na semana com duração de 30 a 60 minutos."

A partir dos 5 anos, jazz e sapateado também podem ser praticados, sempre com moderação:

"Nessa fase, as crianças já possuem mais noção do seu corpo, o que facilita a execução dos movimentos repetitivos que compessas modalidades. A duração dessas aulas deve ser de 30 minutos de atividades controladas, e o resto do tempo, ser dedicado ao lado lo, com muitas brincadeiras."

Nove anos é a idade ideal para se iniciar o estudo da dança a sério.

"A partir dessa idade, a criança já possui coordenação motora e sistema muscular desenvolvidos a ponto de manter o equilíbrio e a postura", afirma a especialista, explicando que as bailarinas pequeninas têm de esperar a hora certa para calçar a sapatilha de ponta. "Nenhum estudante de balé deve subir nas pontas antes dos 10 anos. Isso aper tido, no mínimo, dois anos de treinamento sério."

A pressão do peso do corpo no pé e nos dedos do pé, que estão ainda "macios" e em crescimento, pode causar a má formação dos ossos e das junções. Estudos mostram também que o uso das sapatilhas de ponta, quando iniciado cedo demais, força a estrutura a muscular, os tende os ligamentos, ocasionando problemas ortopédicos graves na criança. Esses problemas, que, na infância, podem ser imperceptíveis, estão relacionados a outros mais graves na idade adulta, incluindo os de coluna. A presidente do Movere acredita que o melhor seria o professor pedir uma avaliação da maturidade física da criança antes de autorizar o uso das sapatilhas de ponta.

Vera Lucia aconselha a avaliação médica também antes de se iniciar qualquer atividade física, especialmente se a criança estiver acima do peso. Dessa forma, o professor terá mais segurança para prescrever a intensidade e a frequência do exercício. As lesmais perigosas são no quadril, mas também podem acontecer nas articulações. É sempre bom ter muito cuidado com os ligamentos, porque, durante a fase de crescimento, as principais cartilagens dos joelhos, quadris e punhos ainda estão em formação e existe um risco maior de serem acometidas por les

Por isso, os jovens que querem se profissionalizar na dança devem esperar para participar de competições e festivais:

"Minha orientação é que, entre 12 e 14 anos de idade, o adolescente já estará preparado fisicamente e conseguirá escolher qual modalidade mais lhe agrada. Com vistas a uma carreira, acredito que a competição pode trazer benefícios do ponto de vista educacional e de sociabilização ao colocar o adolescente frente a situações de vit e derrota. Mas as derrotas não devem ser levadas a sério demais. Se houver cobrança excessiva, a consequência pode ser indesejável: a aversão toma o lugar da diversão."