Nos primeiros dias de agosto, acontece a Semana Mundial da Amamentação, que este ano destaca a importância do aleitamento materno para o desenvolvimento saudável da criança e de um mundo sustentável. No Brasil, a campanha do Ministério da Saúde reforça que “amamentar faz bem à saúde da mãe, do bebê e também do planeta”. É a forma mais econômica e sustentável de alimentar uma criança. O Ministério lembra que para fabricação dos leites em pó ou longa vida é necessário o uso de energia e água potável, assim como materiais para embalagem e combustível para a distribuição, além de produtos de limpeza tóxicos para o preparo diário. Saiba por que é melhor amamentar no peito e confira dúvidas sobre o tema.

Bebês devem receber o leite materno pelo menos até os dois anos, sendo o nutriente exclusivo até o sexto mês de vida, diz a Organização Mundial de Saúde. Esse alimento oferece todos os nutrientes que o bebê precisa até os seis meses de vida, já vem pronto e na temperatura certa, sem conservantes e aditivos químicos, que fazem mal à saúde e ao planeta.Além disso, o aleitamento materno previne a obesidade infantil e deixa a criança menos vulnerável a infecções e outras doenças. Quanto mais natural o ato de amamentar, maiores os benefícios:“Amamentar é uma relação entre duas pessoas, que funciona bem quando tratada com naturalidade”, diz o pediatra Helio Rocha, professor de Nutrologia Pediátrica do departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRJ.

O leite materno tem substâncias difíceis de serem substituídas; exclusivas da nossa espécie e essenciais à saúde, acrescenta Hélio Rocha. “Para cada mês em que a criança é amamentada no peito, há redução em 4% do risco de obesidade na fase adulta”, comenta o chefe do serviço de Nutrologia do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ). E acrescenta: “O leite materno tem nutrientes indispensáveis à espécie humana. Por exemplo, suas gorduras, como as que têm uma insaturação em ômega 3, mantêm o bom funcionamento do cérebro e da capacidade de aprender. Ele também é muito importante para formação das bactérias boas que vivem nos intestinos e ajudam na digestão.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é referência mundial em aleitamento materno, registrando uma taxa de 41%. “Está à frente dos Estados Unidos, do Reino Unido e da China, com o dobro das taxas de aleitamento exclusivo até os seis meses e 12 meses de vida quando comparado a estes países”. Mas precisa ampliar essa meta. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), “apenas 43% dos bebês no mundo com menos de 6 meses de idade são amamentados exclusivamente”.

São muitos os benefícios da amamentação. “A mulher que amamenta cria um vínculo muito forte com seu bebê. Uma alimentação balanceada e variada é importante para mães que estão amamentando. Um motivo é que no seu leite existirão traços do que ela comeu naquele dia, e o seu bebê tem contato com esses sabores. Mesmo no útero, ele já recebe do líquido amniótico os sabores do que a mãe come. Quando o bebê começa a comer outros alimentos, é mais fácil aceitar o que a mãe já consumia”, explica Hélio. 

 

Saiba mais sobre amamentação:

O leite materno muda? A composição varia com o passar do dia, explica o pediatra Hélio Rocha. Os primeiros volumes saem com mais açúcar (carboidrato, lactose) e proteína, mas pouca gordura. É um leite “aguado”. À medida que a mama é esvaziada, a quantidade de gordura aumenta.

Colostro alimenta? O colostro éuma espécie de leite de baixo volume secretado pela maioria dos mamíferos nos primeiros dias pós-parto. Não é um alimento completo, no sentido de levar todos os nutrientes necessários. Sua função principal é reforçar as defesas do organismo, e não dar energia. Talvez, por essa razão, os bebês nasçam gordinhos e percam peso, em torno de 10% na primeira semana de vida. 

Amamentar faz bem à mãe? Amamentar faz bem à saúde materna. Por exemplo, reduz o risco de câncer de mama.

Do leite para o bebê: Tudo que a mãe consome, como alimento, medicamento e mesmo drogas lícitas e ilícitas, passa pelo leite e chega ao bebê. Dependendo do que for ingerido, pode haver danos à saúde da criança. O leite materno é um nutriente vivo. 

Posso usar leite de outra mãe? Antesé preciso pausterizar o leite (submetê-lo a altas temperaturas e depois resfriá-lo subitamente), porque há risco de contaminações. Ao fazer isso, modificamos proteínas, e vitaminas são perdidas. No hospital, esse leite sofre adições e pode ser oferecido a uma criança internada. Em casa, não há como reproduzir esse processo. A manipulação do leite em casa, fora o peito, sempre causa alguma perda de qualidade.

Fórmula padrão e leite congelado? A fórmula, o leite de mamadeira e até mesmo o leite materno congelado não suprem o balanceamento da amamentação ao longo do dia. A fórmula é sempre a mesma, porque a indústria tem que padronizá-la. Do ponto do vista nutricional, o bebê que toma mamadeira tem oferta de composição padrão. Já o bebê que mama no peito recebe um leite cuja composição é dinâmica e conformizada com o estado nutricional, a saúde, o humor de sua mãe e da hora do dia. Isto interfere no ritmo de fome, na saciedade, no sono, no humor da criança, diz Hélio. O leite da mãe congelado cai na situação de pouca variedade e pode ficar pobre em nutrientes, principalmente porque a mãe irá retirá-lo nos momentos em que está mais livre, coincidindo sempre com o mesmo horário. E há outros fatores: quando a mãe põe o leite materno em qualquer reservatório, a gordura adere à parede do frasco, comprometendo a qualidade, pela redução de gordura que será ofertada.

Posso usar bicos artificiais? Bicos de silicone, mamadeiras e outros acessórios, como pomadas para o peito, nem sempre ajudam. Para o doutor Helio, qualquer coisa artificial que impeça a integração natural entre o bebê e a mãe atrapalha. O ato de mamar no peito gera esforço para o bebê e por isso, ao tomar mamadeira - e sugar com menos esforço -, ele recusa o peito. Passar produtos antissépticos nas mamas não é recomendado porque interfere no sabor do leite.

O que fazer para proteger as mamas? A exposição das mamas ao sol durante a gravidez, nos horários recomendados pelos dermatologistas, melhora a resistência da pele. O período inicial da amamentação forma fissuras e rachaduras, por causa da umidade que a mama recebe da boca do bebê. Após a mamada, a mãe deve secar bem as mamas e expô-las à luz do sol ou artificial. Esse estímulo ajuda na recuperação da pele. Usar uma boa sustentação nas mamas, para impedir que a queda pelo peso entorte os canalículos produtores e excretores de leite, é indicado.

Qual o tempo de mamada? O ideal é que o bebê mame até se sentir satisfeito, o que normalmente significa adormecer. Ele deve sugar até o leite de uma mama acabar naquela mamada e depois passar para a outra. Se ele só mamar um pouquinho em uma delas e logo passar para a outra, receberá um leite pobre em gorduras. E não se deve acordar o bebê para mamar no peito. O ideal é o oposto. Geralmente, mãe e bebê ficam sincronizados; ela acorda, com as mamas vazando, um pouquinho antes de o bebê chorar de fome.

O leite secou, e agora? O motivo mais comum de dificuldade na amamentação é o estresse. Na falta do leite materno da própria mãe, o consenso é usar a fórmula a partir do leite de vaca, com orientação do pediatra.

E se a criança ainda quiser o peito após os 2 anos? Nessa fase, a criança já come tanta coisa que vai ao peito mais por relação de proximidade com a mãe do que para se sustentar. Para evitar conflitos e frustrações, o ideal é que a mãe retire o bebê do peito aos poucos e que ela não esteja em casa na hora da alimentação complementar. Nessa idade, a criança aceitará a comida de quem estiver cuidando dela no momento da fome.

O tipo de parto interfere na amamentação? O parto natural aumenta a liberação do hormônio relacionado ao leite materno (ocitocina). Logo, mulheres que tiveram parto normal têm mais facilidade na produção do leite. Além disso, no parto normal, o bebê recebe, ao passar pelo canal vaginal, os chamados lactobacilos, bactérias que ajudam a digestão.

O tipo de dieta aumenta a produção de leite materno? Se a mãe tiver alimentação variada, de boa qualidade e comer a ponto de saciar a sua fome, dá conta de amamentar. O que faz a diferença entre a mulher conseguir ou não amamentar é o estado de relaxamento em que ela se encontra em relação a isso. Se ficar estressada, aumentará a produção do hormônio adrenalina, que interfere na liberação do leite. Basta estar descansada, receber apoio familiar e alimentação balanceada e variada.

Como o pai pode ajudar? Ele deve dar tranquilidade à mãe para que ela amamente. Cuidar para que ela não tenha que se preocupar com outras atividades, zelando pelo seu conforto e do bebê, estando presente para qualquer apoio necessário.

É possível engravidar amamentando? A amamentação protege contra a gravidez, mas não é método contraceptivo confiável. Se a mulher estiver amamentando e não quiser ter filhos, deve conversar com seu ginecologista para saber qual método deve usar. 

Implante de silicone na mama atrapalha? Dependendo da técnica cirúrgica a prótese de silicone não interfere na amamentação. A cabeça atrapalha mais do que o peito.

Vínculo afetivo: O mamífero do qual nos originamos tinha outras mamas, quase até a virilha. As mamas que permaneceram no ser humano ficam no alto do tórax por razão específica: o ser humano é um indivíduo de colo. Quando nasce, não sobrevive se não for levado no colo. Por isso, as outras mamas se atrofiaram, mas as da altura dos braços ficaram. A relação entre amamentação e o abraço é imensa. A criança que é amamentada ao peito é mais abraçada, acariciada, envolvida do que uma criança alimentada sem contato com o corpo da mãe. Na amamentação ao peito se cria um tipo de relação mais íntima e dependente e, por isto, mais significativa, diz Hélio. 

 

Veja outras dicas nas cartilhas do Ministério da Saúde, mas consulte seu pediatra

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_mulher_trabalhadora_amamenta.pdf 

http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/enpacs_10passos.pdf 

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/album_seriado_aleitamento_materno.pdf