Fonte começa com F, de feijão ou figo. Juventude se escreve como jabuticaba, jaca ou jiló. Assim, de letra em letra, o artista plástico Vik Muniz e um grupo de crianças do Vidigal, no Rio de Janeiro, decifraram um segredo perseguido por muitas civilizações: a fonte da juventude, que dá nome a um projeto que pretende ajudar a reescrever nossa relação com a alimentação. Com a ajuda dos pequenos artistas, Vik elaborou um alfabeto de hortaliças para ser usado como uma ferramenta lúdica por pais e educadores em prol da alimentação saudável, sustentável e colorida. O trabalho foi gravado e transformado num vídeo que traz uma mensagem lúdica, mas muito direta a respeito da importância de uma alimentação natural e equilibrada para a longevidade.  

        “Um terço das crianças brasileiras está acima do peso ou obesa e 90% delas não comem frutas, verduras e legumes como deveriam. E o mais assustador: pela primeira vez na história, crianças têm uma expectativa de vida menor do que a de seus pais. É como se a evolução humana estivesse dando uma marcha à ré. Isso a gente não pode deixar acontecer”, diz Vik Muniz.  (Assista ao vídeo, baixe as imagens e brinque com suas crianças: www.fontedajuventude.info)

  A iniciativa é dos Novos Urbanos, uma plataforma de diálogo para inovação social, a partir de uma série de discussões travadas por diferentes entidades ao longo de 2015 em seu laboratório para inovação em alimentação e nutrição.

“O projeto é fruto de um diálogo que mobilizou 40 atores sociais com atuações distintas. Sua beleza está na construção de uma mensagem única de que todos comungam: o incentivo ao consumo de frutas, legumes e verduras”, explica Denise Chaer, diretora geral dos Novos Urbanos. “A cada dólar que a Organização Mundial da Saúde gasta para promover alimentação saudável, outros US$ 500 são usados pela indústria. Desse montante, 60% são destinados à publicidade de produtos com alto teor de gordura, sódio e açúcar. Sabemos que a publicidade influencia e constrói hábitos e ninguém vê publicidade de hortaliças. A ideia era propor uma visão positiva sobre os alimentos in natura. Tem muito não, muita proibição quando a gente fala de nutrição. Queríamos falar sim”.

        Para dar vida à ideia, entrou em cena o núcleo criativo 2020, composto pelo Instituto Alana, a produtora Maria Farinha e os publicitários Pipo Calazans e Pedro Fonseca. A produção e a direção ficaram a cargo da Pindorama Filmes, de Estevão Ciavatta, membro do conselho dos Novos Urbanos, que convidou Vik Muniz.

“Vik Muniz foi muito generoso ao aceitar o convite na mesma hora e ceder os direitos”, elogia Denise, uma construtora de elos. “Agora, estamos numa fase de pensar os próximos passos. Somos um grupo pequeno e temos uma agenda intensa em parceria com a academia e a sociedade civil”.

Numa sociedade em que a busca pela juventude muitas vezes se traduz pelo consumo de medicamentos ou procedimentos ligados à estética ou à melhora de performances físicas e cognitivas, Denise ressalta a importância de repensarmos nossa relação com a comida:

“Por uma série de fatores, variados e complexos, a gente perdeu o contato com a comida. Vivemos num ambiente alimentar doente. Nosso trabalho no Laboratório de Inovação em Alimentação e Nutrição quer trazer essa complexidade para a discussão e pensar em soluções de alto impacto. Elas não são simples, mas com diálogo são possíveis”, diz.