Evite oferecer sucos de frutas no primeiro ano de vida do bebê. O conselho pode soar estranho em um país tropical feito o Brasil, onde crianças são alimentadas com sucos naturais desde o sexto mês de vida. Contudo, essa é a nova recomendação da Academia Americana de Pediatria, que sugere que o consumo de frutas inteiras em vez de suco de frutas pode ajudar o ganho de peso saudável. A Sociedade Brasileira de Pediatra (SBP) faz a mesma advertência.

Segundo Melvin Heyman, médico da Universidade da Califórnia (nos Estados Unidos) e coordenador do estudo, os bebês devem ser alimentados apenas com leite materno – ou fórmula infantil, quando o aleitamento materno não for possível –, até, aproximadamente, os seis meses de idade. “Não há indicação nutricional para dar suco de frutas a bebês com menos de seis meses de idade”, declaram os autores.

Para os bebês com mais de seis meses, caso o suco de frutas seja necessário por indicação médica, deve ser usado copo e não mamadeira. “Os bebês podem ser incentivados a consumir frutas inteiras amassadas ou em purê“, insistem os autores. “Após 1 ano de idade, o suco de frutas pode fazer parte de uma refeição ou de um lanche”, afirmam. Nesse caso, o indicado é apenas o suco de frutas 100% frescas. Os autores esclarecem que os refrescos de fruta não equivalem ao suco de fruta em termos nutricionais.

O médico alerta ainda que a quantidade de suco consumido não deve exceder a 120 ml por dia para crianças de 1 a 3 anos de idade, e 120 a 180 ml por dia para crianças entre os 4 e os 6 anos. A partir dessa idade, e até a adolescência, o consumo de 240 ml é suficiente. E ressalta que crianças maiores e adolescentes devem, antes de tudo, ser incentivados a comer as frutas inteiras para aumentar a ingestão de fibras.

“A ingestão de uma grande quantidade de sucos pode contribuir para a ocorrência de diarreia, nutrição excessiva ou deficiente, e para a ocorrência de cáries dentárias”, advertem os autores. “E a diluição do suco com água não necessariamente diminui os riscos para a saúde dos dentes”, concluem.

O pediatra Hélio Rocha, Chefe do Serviço de Nutrologia Pediátrica do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira do Centro de Ciências da Saúde (IPPMG-UFRJ), lembra que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) – www.sbp.com.br – em seu “Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia”, no capítulo “1.4. Alimentação a partir dos 6 meses de vida da criança em aleitamento materno”, de 2012, já chamava a atenção para o tema: “Os sucos naturais devem ser evitados, mas se forem administrados, que sejam dados no copo, de preferência após as refeições principais, e não em substituição a estas, em dose máxima de 100 ml/dia, com a finalidade de melhorar a absorção do ferro não heme presente nos alimentos como feijão e folhas verde-escuras”.