Números do Brasil e do mundo dão conta de que nossas crianças estão comendo mais sódio do que deveriam. De acordo com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, 9 em cada 10 crianças consomem mais do que a quantidade recomendada desse mineral fortemente associado à incidência de hipertensão arterial. No Brasil, o panorama não é diferente. “Num estudo recente com 366 crianças de creches do município de São Paulo, publicado em revista científica nacional,  foi verificado que o consumo de energia, de proteína e de cálcio não atingiu os valores recomendados em todas as creches estudadas, mas a ingestão de sódio ultrapassou em até três vezes a recomendação diária”, alerta a pediatra Jocemara Gurmini, do Departamento de Nutrologia e Suporte Nutricional da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Segundo ela, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada entre 2008 e 2009, já apontava que as crianças brasileiras, tanto da área rural quanto urbana, consumiam sódio acima do nível máximo de ingestão tolerável.

        De acordo com a especialista, a ingestão máxima permitida para crianças entre e 4 e 8 anos é de 3 gramas de sal por dia, o que equivale a 1,2 grama de sódio. Para os mais velhos, o limite é de 3,8 gramas de sal por dia ou 1,5 grama de sódio. Ela lembra que, embora a redução de sal proporcione vantagens à saúde de toda a família, os pequenos são os mais beneficiados. “As crianças são mais vulneráveis e a redução do consumo de sódio nessa faixa etária representa melhoria da saúde cardíaca na vida adulta”, afirma, explicando que além do sal com que temperamos a comida, mais fácil de visualizar e medir, o sódio está presente em boa parte dos produtos industrializados.