Aposto que você já salivou ao sair do elevador e sentir um cheiro de comida bem feita vindo da casa do vizinho. Pois saiba que o olfato é um poderoso aliado para abrir o apetite.  Por isso, tão importante quanto uma bela apresentação dos pratos é investir em truques que realcem o aroma dos alimentos, para ganhar crianças e adolescentes pelo nariz.

Apresentadora do programa “Socorro, meu filho não come!”, do GNT, a nutricionista Gabriela Kapim explica que o cérebro reconhece determinados odores e os associa a situações de aceitação ou rejeição.

Gabriela diz que o aroma influencia diretamente na aceitação ou na recusa a um alimento. Se o cheiro não for agradável, a pessoa não vai comer, seja criança ou adulto. “A aparência pode ser linda, mas ela não vai aceitar. O mesmo mecanismo rege a aproximação entre pessoas. A chance de alguém se aproximar de uma pessoa com um perfume agradável é muito maior do que de uma que estiver fedida.” 

Veja como o aroma dos alimentos pode ser seu aliado no dia a dia

Estímulos ao olfato: Quanto mais variados os cheiros, mais estímulo ao apetite. Use e abuse das ervas aromáticas. Cozinhe um dia com manjericão e, em outro, com alecrim. Não use a salsinha todo santo dia. Aos poucos, você vai descobrir os aromas e os sabores que fazem mais sucesso com seu filho.

Cheiros doces: Frutas mais maduras exalam aromas mais intensos, doces e agradáveis. O cérebro tende a aceitá-las melhor do que as frutas verdes, que têm cheiro mais cítrico.

Tempere suas frutas: Ervas aromáticas também podem ser acrescentadas às frutas. Experimente colocar hortelã sobre gomos de laranja; alecrim no morango; e manjericão na uva. Incremente o leite ou as vitaminas de frutas com sementes extraídas da fava da baunilha. Desse jeito, é possível até diminuir a quantidade de açúcar.

Cabra-cega cheirosa: Brinque com os cheiros. Ponha uma venda na criança e deixe que ela sinta o aroma de diferentes frutas e vegetais. Estimule que ela prove os alimentos cujos cheiros lhe sejam mais agradáveis. Depois, retire a venda e mostre o que ela comeu. “Essas dinâmicas que levam a criança a experimentar, sem compromisso, só pela brincadeira, dão muito certo e aumentam as chances de ela aceitar só um pedacinho. De pedacinho em pedacinho...”, ensina Kapim.

Gabriela comenta que, como quase tudo na vida, o que agrada a uns pode não agradar a outros. Não há cheiros unânimes.

“Para mim, nada mais agradável do que o aroma de um refogadinho de cebola. Mas tem gente que pode não gostar ou sequer perceber o cheiro”, explica a nutricionista. “Os produtos industrializados prontos para consumo contêm aditivos, como os realçadores de aroma, para se tornarem mais palatáveis, mas acabam ficando todos com o mesmo cheiro”.