A influência dos irmãos, as diferenças entre gêneros e o impacto da cultura, da memória e do afeto nos hábitos alimentares são alguns dos pontos abordados pela escritora inglesa Bee Wilson, em seu livro “Como aprendemos a comer – Por que a alimentação dá tão errado para tanta gente e como fazer escolhas melhores”, publicado pela editora Zahar. Embasada por estudos e a partir de reflexões da própria história da humanidade, passando por vivências da sua infância e da educação dos seus filhos, Bee Wilson constrói um amplo panorama indicando quais são os desafios para se ter uma relação saudável com os alimentos e como superá-los.

No livro, ela explica como as experiências alimentares podem se transformar em verdadeiras prisões das quais as crianças terão dificuldade de sair na vida adulta. Tais reflexões não apenas atentam para a responsabilidade dos pais nesse período, mas os provoca para que pensem nas heranças que eles mesmos trazem. Trata-se de uma análise sobre cultura, comportamento, política, prazer e amor.

 

Verifique algumas das observações da autora

Experimentando sem estresse – Uma das formas de gostar de uma nova comida é ser exposto a ela repetidas vezes, até assimilar o sabor. No entanto, obrigar o seu filho a comer algo pode ter o efeito inverso, isto é, no lugar de aprender a saboreá-la, ele pode criar aversão ao prato.

Educação alimentar para a vida – Na perspectiva da comida infantil, prazer e saúde são tratados como opostos. A criança come legumes por obediência e come guloseimas porque gosta. Ao internalizar essas lições, a tendência é que ela não consiga se livrar delas depois.

Seus filhos aprendem com você – As crianças acreditam que os adultos sempre sabem o que estão fazendo. E muitos pais usam a comida para acalmar ou castigar os filhos.

Criança precisa de segurança – E isso também vale para a hora de comer. Insistir para que seu filho coma uma colherada a mais, por exemplo, não é uma forma de fazê-lo se sentir seguro.

Não precisa limpar o prato – A ideia de que a criança precisa comer tudo é reflexo de um período onde a comida era mais escassa. Estudos mais recentes mostram que forçar seu filho a comer não dá certo.

Pressão estética à mesa – É comum que os meninos sejam incentivados a repetir o prato e a comer mais, enquanto as meninas são fiscalizadas por comer a mesma quantidade ou menos. Não foi sempre assim, mas atualmente o padrão de beleza pesa também na educação alimentar das crianças.

Distúrbios alimentares merecem atenção – Vários fatores refletem na relação de uma criança com a comida: a textura, a temperatura, o olfato. Diferentemente do uso problemático de drogas, por exemplo, quando a alternativa é a abstinência, não existe vida sem se alimentar. Nesse caso, é necessário descobrir formas distintas de comer coisas diferentes. É preciso buscar saídas.

Os hábitos alimentares são mutáveis – O que faz uma pessoa se conformar com sua má-alimentação é muito mais uma crença construída do que uma determinação genética ou biológica. Se uma criança for incentivada (e não forçada) a experimentar novos sabores, ela rapidamente poderá ampliar cada vez mais o desejo de provar novos alimentos. E o mesmo vale para os adultos.