Para o joelho ralado, um curativo. Para a febre que não diminui, uma visita ao médico. Quando falamos de problemas físicos, é relativamente fácil para os pais perceberem que algo não vai bem e buscar ajuda. Mas quando o assunto são as questões psicológicas, como e quando ligar o sinal de alerta e consultar um especialista?

Apesar de não haver muitas estatísticas sobre a prevalência de distúrbios na primeira fase da vida, alguns estudos apontam que os diagnósticos em crianças estão aumentando. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os casos de depressão entre 6 e 12 anos passaram de 4,5% para 8% entre 2005 e 2015. E esse não é o único dado: entre os de idade pré-escolar, 10% possuem algum tipo de transtorno.

É claro que nem todo comportamento extremo ou recusa para comer, por exemplo, indicam questões graves. Alegria, tristeza, euforia, inquietude são sentimentos normais e que todos sentimos pelo menos uma vez - mas é preciso ficar atento à recorrência. Os pequenos não verbalizam o que sentem como os adultos; por isso, quando certos comportamentos se tornam frequentes, pode ser sinal que algo não anda bem. Alguns exemplos são:

  • Isolamento;
  • Irritabilidade constante;
  • Oscilações de humor;
  • Comportamento hostil;
  • Alterações no apetite;

Muitas vezes, a criança manifesta que algo está errado por meio de manias excessivas ou incomuns para a idade - quando é assim, talvez seja mais fácil dos pais perceberem. Mas há também o oposto: quando há um acontecimento que afeta negativamente o pequeno, é esperado que isso afete seu humor. O problema está se, ao contrário disso, ele se mostrar indiferente à situação.

Quando se trata dos hábitos alimentares, é preciso ficar atento aos extremos. Comer demais ou de menos pode significar alguma questão psicológica com a comida ou algo que está refletindo no apetite da criança. Distúrbios de imagem, por exemplo, são especialmente comuns em adolescentes e afetam a hora da refeição.

Caso perceba que algo não está bem, buscar um especialista para conversar é necessário. Os profissionais da saúde poderão avaliar o quadro para definir até onde o comportamento está ou não fugindo da normalidade - e isso é essencial.

Um pesquisa divulgada pela Universidade de São Paulo descobriu que 75% dos problemas de saúde mental em adultos começaram na infância e não foram corretamente tratados. Por isso é tão importante estar atento e oferecer o cuidado certo desde cedo.