Uma criança está pronta para praticar um esporte quando tem as habilidades físicas, mentais e sociais para a modalidade de sua preferência. Contudo, antes de matricular seu filho em uma escolinha de futebol, judô, natação, vôlei ou qualquer outra atividade, converse com o pediatra dele, pois as crianças se desenvolvem em ritmos diferentes. Veja o que dizem os especialistas.

 

De 2 a 5 anos

Antes dos 6 anos, a maioria das crianças não possui as habilidades motoras básicas para praticar esportes organizados. O equilíbrio e o tempo de atenção são limitados, e a visão e a capacidade de seguir objetos em movimento ainda não estão totalmente desenvolvidas. Escolha atividades que se concentrem em ações simples, como correr, nadar, cair, arremessar e pegar. Essas habilidades podem ser melhoradas com brincadeiras ativas. Nessa idade, as crianças têm pouco tempo de atenção e aprendem melhor quando podem explorar, experimentar e imitar outras pessoas. As instruções devem ser poucas e a competição deve ser evitada. Os pais podem ser bons modelos e devem ser encorajados a participar.

 

De 6 a 9 anos

Quando completam 6 anos, a maioria das crianças tem habilidades motoras básicas para praticar esportes simples e organizados. No entanto, é possível que ainda não tenham a coordenação necessária entre as mãos e os olhos para exercitar ações complexas e que ainda não estejam prontas para compreender e lembrar conceitos como trabalho em equipe e estratégias. Os esportes mais apropriados são aqueles que podem ser adaptados para serem jogados em um nível básico e que se concentram em capacidades motoras básicas. Estes incluem correr, nadar e praticar algum tipo de atividade, como futebol, judô, tênis, ginástica, artes marciais. Esportes que exijam habilidades visuais e motoras mais complexas, tomadas rápidas de decisões ou estratégias detalhadas ou trabalho em equipe (futebol, basquete, vôlei) serão difíceis, a menos que sejam adaptados para jogadores menores. As regras devem ser flexíveis para promover o sucesso, a ação e a participação. O esporte deve focar em aprender novas habilidades em vez de ganhar. O equipamento e as regras também devem ser apropriados para crianças pequenas. Por exemplo, bolas menores, quadras menores, tempos de jogo e treinamento mais curtos, menos crianças jogando ao mesmo tempo, mudanças frequentes de posição e menos foco no placar.

 

De 10 a 12 anos

Entre 10 e 12 anos, a maioria das crianças está pronta para participar de esportes complexos. Elas têm habilidades motoras e cognitivas para praticar modalidades que exigem trabalho em equipe e estratégias. Nessa fase, o esporte deve se concentrar no desenvolvimento de aptidão, diversão e participação, e não na competição. Algumas crianças nessa faixa etária podem estar entrando na puberdade. Durante essa fase, as diferenças físicas, especialmente entre os meninos da mesma idade, podem ser muito marcadas. Isso é importante inclusive para saber qual é o esporte adequado ao seu filho. Os meninos que entram na puberdade antes serão temporariamente mais altos, pesados e fortes. Isso pode lhes dar uma vantagem física, mas isso não significa que eles sejam mais talentosos ou continuem a se destacar no esporte. Se possível, eles devem competir com outros adolescentes com a mesma capacidade física. Da mesma forma, os meninos que se desenvolvem mais tarde podem ter uma desvantagem física temporária nos esportes. Isso não deve ser visto como falta de talento ou habilidade. Eles devem ser incentivados a praticar esportes com menos ênfase no tamanho físico, como natação, tênis, artes marciais. Lembre-se de que períodos de crescimento abrupto podem afetar temporariamente a coordenação, o equilíbrio e a capacidade de praticar uma habilidade. Deve-se ficar atento para evitar que a criança ou o adolescente treine em excesso, o que pode aumentar o risco de lesões. Em qualquer idade, verifique os locais para a prática de esporte, quanto à segurança dos equipamentos e dos ambientes, bem como a higiene desses locais.

Fonte: “Care of the Young Athlete Patient Education Handouts” (American Academy of Pediatrics).