Atualmente, a tecnologia faz parte da vida de todas as pessoas, de todas as faixas etárias. Na medida certa, ela pode ser uma aliada para se obter conhecimento, diversão e estimular a criatividade. Apesar dos pontos positivos, especialistas já consideram a relação com celulares, tablets e telas em geral um vício, sobretudo para crianças e adolescentes, o que exige a atenção redobrada dos pais.

 

Em entrevista ao jornal espanhol El País, Adam Alter, doutor pela Universidade de Princeton e professor de marketing e psicologia na Escola de Negócios da Universidade Nova York, afirmou que as telas representam uma ameaça à sociedade, tornando as pessoas mais “intransigentes, dogmáticas e teimosas”. Alter analisou quanto tempo livre as pessoas gastam em frente às telas e, em suas pesquisas, observou que o uso de aplicativos já toma quase todo tempo livre delas.

 

Para a pediatra Evelyn Eisenstein, do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a maior preocupação é a falta de controle dos pais, tanto em relação ao tempo que os filhos estão conectados quanto à não fiscalização do conteúdo acessado. Ela aponta ainda que o vasto tempo que crianças e adolescentes passam sentadas diante de telas implicam sedentarismo e pouca vivência de experiências e atividades fundamentais para essa fase da vida.

 

“Eles adotam um comportamento sedentário, não têm contato com a natureza, um comportamento prejudicial ao seu desenvolvimento.” Evelyn assegura que esse é um desafio posto aos pais, médicos e psicólogos e defende que a coisa mais importante é a comunicação com os filhos. “Você precisa ter uma relação humana com seu filho. Não pode ser triangular, através de uma tela.”

 

Também Enrique Echeburúa, professor da Universidade do País Basco (UPV/EHU), se mostra preocupado com o problema. Em entrevista ao El País, considera que as respostas rápidas, interatividade e recompensas imediatas, típicas das mídias sociais, são atraentes para os jovens; e detalhou de que forma o uso abusivo destas redes podem impactar negativamente em suas vidas.

 

Segundo Echeburúa, o problema com o uso de mídias sociais e aplicativos existe quando vão sendo deixadas de lado outras atividades “típicas de uma vida normal”, como estudar, praticar esportes, hobbies, sair com os amigos e se relacionar com a família. “Quando o abuso das mídias sociais provoca a retirada da vida real, induz à ansiedade, afeta a autoestima e faz com que as pessoas percam o autocontrole”, apontou.

 

Além dos efeitos negativos, como sedentarismo, distúrbios do sono e mudanças de comportamento, Echeburúa diz quais são os sinais de abstinência nas pessoas afetadas pela dependência das telas: ansiedade, depressão e agitação, aumentando a necessidade de maior tempo de conexão.

 

Confira algumas dicas da doutora Evelyn e do Manual de orientação “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital” (da Sociedade Brasileira de Pediatria) para lidar com a dependência dos seus filhos em relação às telas e como identificar o momento de pedir ajuda.

 

 

Desconecte-se – Ações bem simples, como desligar o celular na hora das refeições, ajudará o seu filho (e você também) a estar mais conectado à vida real e a desapegar da necessidade de estar diante de uma tela. Leve seu filho para passear ao ar livre e estar em contato com a natureza.

 

Deixe o celular em casa – No final de semana, saia para passear com as crianças sem os celulares. Cheguem juntos a acordos claros sobre o tempo de conexão em jogos e mídias sociais, por dia e também no fim de semana.

 

Converse com seu filho – Converse com seu filho não só por mensagens. Bata um papo, dê um abraço, olhe no olho e esteja junto sem se limitar à mediação da tecnologia. Crie momentos de interação, no qual vocês possam se olhar, se abraçar e compartilhar o tempo longe das telas. Esteja ao lado dele sempre que precisar; isso também vai fortalecer a parceria e confiança entre vocês.

 

Sem telas na hora das refeições – Estabeleça que os celulares, tablets e computadores ficarão de fora nos momentos que todos estiverem à mesa, mas lembre-se de que isso só funcionará para o seu filho se funcionar para você também.

 

Esteja atento à segurança – Verifique a classificação indicativa de jogos, filmes e vídeos e garanta que seu filho pode acessar aquele conteúdo. Faça o mesmo com as configurações de privacidade dos aplicativos aos quais ele se conecta. Converse com ele sobre os perigos e riscos da internet e das redes sociais e preste atenção às ações deles na rede.

 

Se precisar, peça ajuda – Se você identificar que seu filho vive uma relação problemática e exagerada com os aparelhos eletrônicos, afetando sua rotina, relação com você, sua família e outras crianças ou mudanças de comportamento quando está desconectado, procure imediatamente o pediatra ou um psicólogo.