Na primavera e no verão é preciso redobrar o cuidado diário com a higiene e a hidratação da pele das crianças, principalmente no caso de meninos e meninas acima do peso. Nesse grupo, problemas dermatológicos podem estar associados à obesidade. Na entrevista a seguir, a dermatologista Ana Mósca, presidente do Departamento de Dermatologia Pediátrica da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio (Soperj), ensina a proteger a pele das crianças nos dias mais quentes e úmidos.

 

OIN – Quais são os problemas de pele frequentes em crianças na primavera e no verão?

ANA MÓSCA – Nessa época do ano, elas passam mais tempo ao ar livre. Um problema comum no consultório é a reação alérgica à picada de insetos. Além desse, na primavera e no verão o índice de radiação ultravioleta emitida pelo Sol está muito alto. Por isso, é importante manter o cuidado diário com aplicação de protetor solar e uso de roupas e chapéus adequados. O calor e a umidade são agravantes para as infecções de pele e as assaduras. A pele clara é ainda mais sensível porque tem menos melanina (pigmento da pele).

 

OIN – A partir de que idade as crianças podem usar protetor solar?

ANA – A recomendação para os bebês até seis meses é a exposição ao Sol nas eventuais saídas de casa. Eles não precisam ser levados à rua ou à pracinha apenas para isso. O nível de radiação ultravioleta já é alto em países tropicais. Na eventual necessidade de exposição ao Sol, é obrigatório ele estar protegido com roupas, chapéus e guarda-sol. Crianças maiores devem receber os mesmos cuidados de proteção física e usar fotoprotetor diariamente, principalmente no horário de maior incidência de radiação ultravioleta. De maneira geral, recomenda-se a exposição ao Sol até as 10h, ou ainda mais cedo se a criança tiver pele muito clara. Com relação aos hidratantes, até um ano de idade a pele do bebê é imatura e pode-se aplicar cremes emolientes. Jamais se deve passar produtos com fórmulas para adultos em crianças.

 

OIN – Quais são os sinais na pele de problemas por excesso de peso?

ANA – Algumas crianças acima do peso têm placas escuras no pescoço, nas axilas, na virilha e nos cotovelos (acantose nigricante). Essas manchas podem ser um sinal de aumento de resistência à insulina ou diabetes. Elas sofrem mais assaduras crônicas e infecções oportunistas por fungos. Com o tempo, essas reações podem se tornar grossas, com aspecto de verrugas e de difícil tratamento. A acne na adolescência é comum, mas a piora dessa doença de pele pode estar relacionada a uma alimentação rica em carboidratos (açúcares). Os pais de crianças acima do peso devem ter maior cuidado com a higiene nas dobras cutâneas, que acumulam umidade e favorecem o aparecimento de intertrigo (causada por fungos). Após o banho deve-se secar bem essas áreas e aplicar hidratantes, protegendo a pele. Não recomendo usar sabonetes antissépticos em crianças, porque favorecem o ressecamento e a perda da hidratação natural da pele, responsável pela barreira cutânea.

No caso de dermatite atópica, atente-se para as orientações da SBP

– Algumas crianças sofrem de dermatite atópica, doença crônica causada por fatores genéticos e ambientais, que se manifesta, geralmente, nos primeiros anos de vida. O seu principal sintoma é a coceira, e, de acordo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), afeta crianças com história pessoal ou familiar de asma, rinite ou mesmo de dermatite atópica. Alterações genéticas danificam a camada de proteção da pele, que fica suscetível a substâncias irritantes, que causam inflamação. Segundo a SBP, a própria pele seca, por si só, provoca a coceira. Ao coçar a pele, ela se torna mais vulnerável à irritação. Hidratar bem a pele, pelo menos duas vezes ao dia, com produto hipoalergênico receitado pelo pediatra, é uma boa forma de aliviar os sintomas.

– O banho deve ser rápido, morno e com pouco sabonete (e específico para crianças alérgicas).

– Use no seu filho apenas roupas de algodão, inclusive no uniforme escolar. Lave-as com sabão líquido claro e sem amaciante.

– Limpe o vaso sanitário de casa apenas com álcool ou detergente neutro.

– Situações de estresse podem piorar a dermatite, bem como as alterações climáticas com mudanças bruscas de temperatura, calor excessivo (transpiração) e baixa umidade do ar. Converse com o pediatra sobre o assunto para saber mais.

 

Quer aprender mais sobre cuidados com a pele da criança e alergia à picada de insetos? Confira as dicas da SBP disponíveis nos sites:

<http://www.pediatriaparafamilias.com.br/website/paginas/materias_gerais/materias_gerais.php?id=172&content=detalhe>;

<http://www.pediatriaparafamilias.com.br/website/paginas/materias_gerais/materias_gerais.php?id=167&content=detalhe>;

<http://www.pediatriaparafamilias.com.br/website/paginas/materias_gerais/materias_gerais.php?id=116&content=detalhe>.