Provavelmente, você conhece ou já ouviu alguma história sobre gordinhos felizes. Nas mídias sociais há quem se apresente assim, inclusive crianças. Mas, segundo especialistas, essa afirmação nem sempre retrata a realidade. A obesidade infantil é uma doença grave que pode causar sérios problemas psicológicos devido à discriminação social. Para prevenir esses danos, a Academia Americana de Pediatria (AAP) e a Associação contra a Obesidade lançaram este mês, em inglês, o guia “O estigma que sofrem as crianças e adolescentes com obesidade”, com o intuito de orientar pediatras e profissionais de saúde sobre o tema. Saiba mais a respeito.

Risco de baixa autoestima – Crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesos sofrem discriminação social, situação que piora seus problemas de saúde e a sua qualidade de vida. Eles se sentem constrangidos, envergonhados e tristes. O excesso de peso pode levar à vitimização e ao abuso, ao assédio moral e aumenta o risco de depressão. O tratamento contra a obesidade é um “trabalho árduo e complexo”, diz o pediatra Stephen J. Pont, principal autor do guia e membro do Comitê Executivo contra a Obesidade da AAP. “Às vezes nos esquecemos da carga que o estigma do peso tem nas crianças e nas famílias que lutam contra a obesidade”, adverte. Essas crianças se sentem menos confiantes, têm baixa autoestima e não raro ouvem que são culpadas por terem engordado.

Bem-estar na comida – O estigma da obesidade infantil aumenta o isolamento da criança e do adolescente, que ficam constrangidos de participar de atividades diárias com outras pessoas e com isso ganham mais peso. E, às vezes, eles buscam o bem-estar na comida, acrescentando calorias aos seus pratos. “Devemos evitar palavras e atitudes que nossos pacientes possam perceber como estigma e, assim, podemos alcançar melhores resultados no tratamento”, comenta Pont. A AAP e a Associação contra a Obesidade recomendam aos pediatras e aos profissionais de saúde que eles sejam modelos de comportamento e utilizem nas consultas e conversas uma linguagem sem preconceitos, positiva. Por exemplo, orientam a não usar adjetivos, tal como “menino obeso”. Também indicam que os médicos e outros especialistas apliquem técnicas, como entrevistas motivacionais com seus pacientes e as famílias. Essas capacitações devem ser incentivadas nas faculdades de medicina e programas de formação médica continuada. “Nosso objetivo é ter um enfoque mais eficaz e com empatia na forma como abordamos e oferecemos atenção às crianças e às famílias que lidam com a obesidade”, explica Pont.

Maior atenção no ambiente escolar –No ambiente escolar, o assédio ou abuso devido ao excesso de peso é uma situação frequente e motivo de brigas entre alunos. Pelo menos 71% das crianças e adolescentes que fazem tratamento para perder peso relatam ter sido vítimas de abuso, discriminação. Mais de um terço conta ter sofrido assédio moral por mais de cinco anos. “Esses pacientes são vítimas de chacota por parte dos seus colegas de escola e, às vezes, por seus pais”, afirma a médica Rebecca Puhl, membro da Associação contra a Obesidade. “Os pediatras e outros profissionais de saúde devem estar atentos a esse problema, pois estão entre os poucos que podem oferecer ajuda para prevenir o dano adicional que essas experiências causam na infância e na adolescência”, conclui. Estudos mostram que crianças com excesso de peso que se tornam adultos obesos tendem a encontrar mais dificuldade na carreira profissional e nos relacionamentos.

Fonte: Academia Americana de Pediatria.