Amamentar não é apenas nutrir a criança, é interagir e garantir sua saúde física e emocional. Esse processo pode ser ainda mais eficaz quando oferecemos o melhor leite possível. Na entrevista com a pediatra Mônica Moretzsohn, presidente do Comitê de Nutrologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ), ela explica por que a mulher que amamenta deve manter uma boa alimentação durante o aleitamento.

 

OIN – Por que a alimentação da mãe que amamenta é importante?

 

MÔNICA MORETZSOHN – A orientação nutricional adequada para as mães, durante a amamentação, é de fundamental importância, pois os nutrientes presentes no leite materno são procedentes da nutrição materna ou de suas reservas.

 

OIN – Tudo o que a mãe consome afeta os nutrientes do bebê?

 

MÔNICA – Carboidratos, proteína, cálcio e ferro não sofrem alterações importantes, mesmo que a mãe não receba as quantidades adequadas desses nutrientes na sua dieta. Mas a ingestão inadequada de gorduras (em qualidade e quantidade), das vitaminas do complexo B e das vitaminas A e D prejudica diretamente suas concentrações no leite materno.

 

OIN – Por que as mães devem ficar atentas ao consumo de gorduras?

 

MÔNICA – O consumo exagerado de gorduras trans, presentes nos alimentos industrializados, como sorvetes, biscoitos recheados e alimentos pré-prontos congelados, eleva este tipo de gordura no leite materno. Isso modifica a composição corporal do bebê, gerando aumento de gordura corporal. Por outro lado, a não ingestão ou o consumo insuficiente de gorduras boas, como ômega 3, importante para o desenvolvimento do sistema nervoso central e da retina do bebê durante a gestação e o aleitamento materno, pode comprometer o desenvolvimento neurológico e visual dos bebês. Essa é uma gordura que precisamos comer na alimentação, porque nosso organismo não produz ômega 3. Ela é encontrada principalmente nos peixes de água fria (salmão, sardinha, cavalinha) e nos óleos de linhaça, chia entre outros.

 

OIN – O que gestantes e lactantes podem fazer para garantir a melhor nutrição das suas filhas e filhos durante o aleitamento?

 

MÔNICA – Refeições equilibradas, com consumo variado de frutas, verduras e legumes durante a gestação e o aleitamento materno são capazes de prover os nutrientes de qualidade de que o bebê precisa e também de prevenir o desenvolvimento de doenças, como obesidade, hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. E mais: comer de forma saudável nesse período contribui para que os bebês tenham um paladar mais apurado, pois o sabor do líquido amniótico e do leite materno é influenciado pela alimentação da mãe.

 

Sugestões para um quadro na matéria:

 

Conheça alguns dos benefícios do aleitamento materno

 

 

Efeito protetor de curto prazo – Crianças menores de seis meses que mamam exclusivamente no peito ficam mais protegidas de doenças infecciosas, diarreia e infecções respiratórias. Além disso, o risco de morte é muito menor.

 

Efeito protetor de longo prazo – Bebês amamentados têm menor chance de se tornarem adultos com sobrepeso ou obesos e de desenvolverem diabetes tipo 2.

 

Amamentação e inteligência – Amamentação e escolaridade alcançada é uma associação que já foi relatada no Reino Unido, na Nova Zelândia e no Brasil. Aqui, um estudo com 30 anos de seguimento sugeriu efeito positivo da amamentação sobre a inteligência.

 

Amamentação e saúde mental – O leite materno tem compostos que são essenciais para o desenvolvimento do cérebro. Há indícios de que o aleitamento materno influencie positivamente na prevenção de déficit de atenção, hiperatividade e outras condições.

 

Redução da pobreza – Amamentar gera benefícios para toda a sociedade. Se todas as crianças fossem amamentadas por pelo menos seis meses, os países de baixa e média renda poupariam 70,9 bilhões de dólares; pouparíamos também com o tratamento de doenças que podem ser prevenidas com a prática: 6 milhões de dólares no Brasil.

 

Fonte: <http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/_21162c-DC_-_Amamentacao_-_A_base_da_vida.pdf>.

 

 

 

Conheça também a cartilha do Ministério da Saúde para a mãe trabalhadora que amamenta, disponível em:

 

<http://www4.planalto.gov.br/consea/publicacoes/alimentacao-adequada-e-saudavel/cartilha-para-a-mae-trabalhadora-que-amamenta/5-cartilha-para-a-mae-trabalhadora-que-amamenta.pdf>.