A questão da alimentação dos filhos tem sido fonte de grande preocupação para as mães. Talvez porque o verbo alimentar seja muito utilizado como sinônimo de amar...

Amamentar, por exemplo, é compreendida como a ação primeira de doação e proteção. Imagens de mulheres amamentando seus filhotes aconchegados ao seio, quentinhos e protegidos, vem sendo, através dos tempos, a forma habitual de representar o mais puro ato de amor em nossa sociedade. É compreensível, portanto, que mamães pós-modernas (a maioria das quais hoje fica longe dos filhos oito a dez horas diárias, e desde ainda bem pequenos) tentem compensar essa ausência perturbadora cuidando - às vezes “além da conta” – de alimentar os filhos, quando estão juntos. Mecanismo de compensação que confunde, por vezes, quantidade com qualidade. Parece que quanto mais a criança come, mais atenuada a culpa que sentem. Daí para a criança descobrir no ato de comer (sem compreender bem o “porque”) uma insuspeitada arma de barganha é um pulo... Em consequência, o que poderia ser um momento de encontro e prazer, acaba se tornando verdadeiro tormento - repetido a cada refeição.

Recebo apelos de mães desesperadas com a confusão que se instalou em suas vidas na tentativa de bem alimentar as crianças. Claro que alimentar bem os filhos é fundamental, mas a hora das refeições deve ir além da questão meramente fisiológica, podendo se transformar em ricos encontros de troca afetiva, de forma tal que, no futuro, as crianças deles se recordem com prazer e saudade. Para sair dessa verdadeira “enrascada”, em primeiro lugar é preciso ter um número mínimo de informações nutricionais sobre o que importa de fato e, a seguir, adotar medidas práticas imediatas, que ajudem a reverter o quadro.

As informações e dúvidas sobre alimentação podem ser facilmente sanadas com uma boa conversa com o pediatra, profissional ideal para dar orientação embasada e clara sobre a real necessidade alimentar das crianças - que, diga-se de passagem - varia bastante de acordo com a fase do desenvolvimento. Uma simples conversa – no consultório e sem as crianças, de preferência com os dois pais em conjunto - certamente trará bons frutos. Talvez o pediatra indique um nutricionista (muitos trabalham em conjunto com esse especialista) para melhor orientar a elaboração de cardápios. Na maior parte das vezes, após esse encontro, as pessoas ficam surpresas ao verificarem o quão menor é a necessidade nutricional dos filhos (em termos de quantidade, vale ressaltar). Também ficam muito surpresos ao perceberem que são as suas atitudes que, com maior frequência, colaboram para tornar as refeições momentos de puro estresse!

Então, antes de mais nada, é preciso aprender algumas coisas simples e concretas, que facilitarão sobremodo a vida de pais (e de filhos também! ).

A primeira delas: o prato das crianças deve sempre estar composto com os elementos essenciais do ponto de vista nutricional. E deve ter a quantidade adequada a cada faixa etária. Nem mais, nem menos.
Sempre vale lembrar que os problemas de obesidade, colesterolemia, diabetes e outros problemas de saúde ligados à nutrição, vêm aumentado muito - até entre crianças e jovens. Portanto, bem alimentar os filhos é puro amor, amor de verdade, porque possibilita crescimento sadio e formação de hábitos adequados. E nada tem a ver com comer muito ou tudinho o que mamães amantíssimas colocam nos pratos.

O melhor de tudo isso, no entanto, é que formando hábitos alimentares adequados, aumentam muito as probabilidades de propiciarmos um futuro mais longo e profícuo para quem tanto amamos! Vale ou não a pena?