A educadora e documentarista Renata Meirelles passou dois anos viajando pelo Brasil para entender como brincam as crianças. O que ela testemunhou durante o projeto Território do brincar, desenvolvido em parceria com o Instituto Alana, foi o enorme potencial da infância quando a criança tem autonomia, espaço e tempo para as brincadeiras. Apesar de serem três itens cada vez mais raros, em todas as classes sociais, Renata percebeu que a imaginação infantil se encarrega de driblar os obstáculos que o mundo adulto impõe.   

“A sensação que eu tenho é que os adultos desistiram das crianças. Eles não têm a menor ideia do que elas fazem. Por mais que tenham sido crianças, o distanciamento é muito grande. Seja onde for, por mais restrito que seja o espaço, vamos entender e ressaltar o que elas fazem. Não vamos desistir das crianças”, apela Renata. A educadora acredita que há um excesso de direção dos adultos em relação às atividades das crianças, inclusive ao brincar. Avessa às brincadeiras dirigidas, ela dá sugestões para deixar que a infância prevaleça, mesmo em espaços apertados: “Elas precisam de tempo livre e não de direcionamento de adultos. No máximo, uma ideia, um empurrão. O movimento corporal é inerente”, afirma.